Curitiba - A população de classe média alta da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) também já amarga a crise do desemprego. Uma pesquisa inédita da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo constatou que o desemprego subiu 55,2% entre as pessoas mais abonadas na RMC entre 1992 e 2002. Já a taxa de desemprego entre a classe média subiu 38,6% no mesmo período e entre a classe baixa aumentou 30,3% entre os dez anos.
O resultado desta pesquisa mostra também que hoje a qualificação é importante, mas não um diferencial no currículo dos trabalhadores. ''Mesmo tendo estudos e boa qualificação, as pessoas não conseguem se conpatibilizar com as vagas disponíveis no mercado hoje, que são em suas maioria para profissionais com perfil diferente da classe média alta'', afirma o economista Sandro Silva.
Uma das principais razões para que a crise tenha atingido a classe média alta, segundo os especialistas, é retração econômica. Além dela, o economista Elio Winter, destaca outras duas razões: ''As pessoas mais qualificadas não conseguem oportunidades no interior e acabam vindo para os grandes centros em busca de chances, mas também não conseguem. E o desenvolvimento econômico em cima da agricultura, como acontece com o Paraná, também colabora para essa aumento'', acredita. Winter lembra que no Paraná especificamente, a grande expansão econômica se deu no setor da agroindústria que, além de não exigir mão-de-obra com alta qualificação e por isso mais cara, fica justamente no interior.
O economista Sandro Silva lembra ainda que desde meados de 1994 a inflação acumulada é de 107%. No mesmo período, o salário mínimo do trabalhador subiu 270%, porém a renda das classes média e média alta não atingiu o mesmo ponto que a inflação.

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