Diante de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo é natural que as exigências dos empregadores sobre as qualificações dos funcionários aumentem. Mas, afinal, quais qualidades um trabalhador deve apresentar ao mercado para conseguir um emprego? A característica básica é a qualificação. Ainda falta capacitação – técnica e prática – aos candidatos a um emprego. Há muitos trabalhadores com baixa escolaridade, sem conhecimentos de informática ou de línguas estrangeiras e com conhecimentos não atualizados da sua profissão.
  O consultor em treinamento, desenvolvimento e liderança empresarial Abraham Shapiro, enumera que duas empresas instaladas em Londrina – de diferentes segmentos – montaram uma ‘‘escola’’ dentro de sua própria estrutura para investir em reciclagem e formação de profissionais. A intenção desses empresários é aperfeiçoar seus funcionários e ainda investir em formação de mão-de-obra para o seu próprio ‘‘consumo’’.
  Ruth Hayashi, coordenadora de Recrutamento e Seleção da Labor Trabalho Temporário, lembra que os empregadores estão mais exigentes e pedem um grau de instrução maior, conhecimentos em informática e em línguas estrangeiras. ‘‘Além disso, o candidato deve ter uma boa desenvoltura e não ser muito tímido porque ele não vai conseguir expressar seus conhecimentos’’, aconselha Ruth. Ter um bom vocabulário também é um item importante. Para Shapiro, falta ao trabalhador a ‘‘consciência verdadeira do seu papel na empresa’’. ‘‘Em geral, o que percebemos é que os candidatos têm um nível mais baixo do que se espera dele e eles não estão dispostos a se superar’’, comenta.
  Ele acrescenta que os funcionários não estão dispostos a assumir os objetivos e metas da empresa para qual trabalha. Além disso, falta ‘‘sintonia’’ com as inovações do campo profissional de cada um. ‘‘Para se diferenciar, o trabalhador tem que apresentar habilidades suplementares. Esses diferenciais abrem a possibilidade de crescimento dentro da empresa porque são características de cargos de liderança’’, salienta. Na sua avaliação, muitas pessoas hoje estão interessadas no emprego apenas para ter um salário e não para somar com a estrutura da empresa.
  ‘‘O que o empregador quer hoje é conhecer também as habilidades emocionais, de como os candidatos se comportam em períodos de crise, em momentos de conflitos. O trabalhador tem que ser transparente na entrevista’’, explica o consultor. O seu conselho é que os estudos nunca devem ser abandonados. ‘‘As pessoas têm que ter amor pelos estudos e pela leitura’’, salienta.
  Os estágios em empresas também podem ser o caminho para que muitos universitários consigam atender a uma exigência do mercado: a experiência profissional. Segundo Ruth Hayashi, mesmo sem remuneração ou com salários considerados baixos o estágio deve ser encarado como um aprendizado. ‘‘Os estágios formam o profissional, que pode ser efetivado na empresa ou apresentar uma experiência ao mercado’’, explica.

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