Os componentes químicos do vinho produzido na Região Norte do Paraná serão analisados na Universid de Castilla-La Mancha, na Espanha, que é referência em pesquisas com vinho e azeite de oliva. A professora Suzana Nixdorf, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina, embarca no final deste mês levando na bagagem amostras de vinho e de suco de uva produzido no distrito de Warta, em Londrina, em Maringá (Região Noroeste) e em Veranópolis (RS). As análises devem estar concluídas até o final do ano.
''A pesquisa tem foco na qualidade de vida e também queremos prestigiar a nossa região. Temos certeza de que as amostras irão apontar muitos antioxidantes'', comenta Suzana. Nas análises será utilizada técnica de cromatografia líquida acoplada à espectometria de massas. O foco dos pesquisadores é a substância resveratrol. Estudos recentes da comunidade científica têm descoberto que este componente tem propriedades antioxidantes e antiinflamatórias, o que poderia aumentar a expectativa de vida.
Essa substância é encontrada na casca e nas sementes das uvas vermelhas. A professora acrescenta que o resveratrol é considerado um dos principais fatores de proteção para o tratamento de arteriosclerose, doenças alérgicas e inflamatórias, entre outras. Para o enófilo Alcides Carvalho são altas as suspeitas de ser encontrado o resveratrol nas uvas de Londrina. ''Quanto pior o clima para a uva mais é encontrado o resveratrol porque ele é a 'defesa' da uva e aqui as condições são bastante adversas'', afirma.
Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde aponta que a expectativa de vida da população de Veranópolis é de 77,7 anos, a mais alta do Brasil e a terceira maior do mundo. Além disso, os registros de mortes por doenças cardíacas são os menores do País. A desconfiança é que este fator saudável está associado ao hábito de consumir vinho diariamente. (F.M.)

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