Dorico da SilvaNova diretoriaMiyamoto é cumprimentado por Dimárzio, na posse da diretoria da Abrasem O engenheiro agrônomo e empresário Ywao Miyamoto, de Londrina, tomou posse ontem na presidência da Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem). A cerimônia, às 20 horas, contou com a presença de dirigentes de Associações de Produtores de Sementes de onze Estados. Pela manhã e à tarde houve reunião técnica, com a participação do presidente que deixa o cargo, Amaury Dimárzio; do presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes, Scylla César Peixoto, também presidente da Comissão Estadual de Sementes e Mudas. Participaram o presidente da Associação Paranaense de Produtores (Apasem), Waldir Vergami Galera e técnicos do Iapar e Embrapa.
Para os produtores de sementes está claro que a Lei de Proteção de Cultivares, sancionada ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, pode ser um divisor na história do setor. Tudo indica que o enfoque tecnológico agora ‘‘é mais pela qualidade e menos pela produtividade’’, resumem.
E o novo presidente da entidade, Ywao Miyamoto, acha que a partir da aprovação da Lei de Proteção de Cultivares - que dá direito ao melhorista de receber uma remuneração pelo desenvolvimento de novas cultivares - o setor pode esperar um aumento significativo no investimento em pesquisas. Isto vai gerar produtos de melhor qualidade e incremento das atividades do setor.
Setor é forte A Abrasem tem sede em Brasília e representa cerca de 700 empresários e 41 mil cooperantes produtores de sementes. A infra-estrutura de produção de sementes é composta por 1.330 unidades operacionais de beneficiamento, com capacidade para 98.844 toneladas/dia; 1.757 unidades de armazenamento que absorvem 5.072.060 toneladas e 208 laboratórios. Esse complexo industrial de sementes conta com a assistência tecnológica, econômica, empresarial e política de 2.388 profissionais, sendo responsável pela produção nacional de sementes melhoradas.
Apesar da retração ocorrida nos últimos anos, o Brasil mantém-se como terceiro produtor mundial de sementes, atrás, somente dos Estados Unidos e China, com negócios em torno de R$ 1 bilhão/ano.
O objetivo primordial da Abrasem, segundo Miyamoto, é a recuperação e a consideração do setor sementeiro, através do oferecimento de sementes em maior volume, de melhor qualidade e a custos compatíveis com os consumidores.
Miyamoto disse que a Abrasem não é uma entidade corporativa, preocupada com um único segmento, no caso os produtores de sementes. Hoje a preocupação é com a economia como um todo e a Abrasem quer dar sua contribuição. Não adianta ficar só reivindicando para o setor sementeiro, ainda que tais reivindicações sejam justas: é preciso ver os interesses da agricultura como um todo; ‘‘é preciso ver os interesses do Brasil como um todo’’, segundo o empresário e técnico Miyamoto. Justamente porque tem procurado colaborar, levantando problemas e apontando soluções, é que a Abrasem tem força junto ao governo, segundo Miyamoto. Para ele, não há lugar para reclamações ou simples choradeira.
Miyamoto disse também que a Lei de Proteção de Cultivares deve deslocar um pouco o centro da preocupação do melhoramento genético. Se até agora a genética buscou produtividade, agora deve contemplar mais o fator qualidade, dentro dos novos referenciais da globalização. E deu alguns exemplos: as novas cultivares de soja podem apresentar maior rendimento de óleo, e o farelo, mais proteína. O trigo deve perseguir grãos voltados para produzir farinha, dentro da expectativa das indústrias. No caso das frutas os objetivos tendem a ser sabor e qualidade nutricional, exemplificou. A variável qualidade vai permear as preocupações da pesquisa tecnológica.

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