Qualidade e marca garantem mercado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A manutenção do Brasil na posição de maior exportador de carne depende de investimento em qualidade, na consolidação de uma marca para o produto brasileiro e a garantia de sanidade do rebanho. O assunto foi discutido, ontem, no ''Seminário nacional sobre produção de carne bovina com qualidade'', realizado em Londrina.
A ampliação das zonas livres de febre aftosa abrem ao País a possibilidade de conquistar novos mercados e aumentar os negócios com os países que já consomem carne brasileira. A opinião é de Jorge Caetano Junior, assessor da diretoria do Departamento de Defesa Animal do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Segundo ele, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são consideradas áreas livres da doença, assim como alguns estados do Norte e Nordeste. ''A vigilância tem que ser constante para evitar o aparecimento de novos focos'', opinou, acrescentando que os produtores precisam se conscientizar sobre a importância de vacinar o gado. ''Todo investimento em nutrição, genética e manejo do rebanho se perde se houver problemas sanitários'', alertou.
Outra preocupação do Mapa é mostrar ao mercado externo que o Brasil não registrou casos da doença da vaca louca. ''É preciso comprovar que não temos a doença. Isso não é fácil'', disse ele, que aconselha os produtores a não usarem proteína animal na alimentação do gado.
Outro participante do seminário foi Albino Luchiari Filho, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, não adianta oferecer carne de qualidade ao mercado externo se não houver identificação da origem do alimento. ''Se não consolidarmos uma marca, o País nunca será conhecido como produtor de carne boa.''
Segundo o especialista, o produto nacional chega aos mercados compradores sem embalagem. ''O consumidor não sabe de onde veio'', afirmou Luchiari.
Apesar do número positivo, é preciso investir em qualidade para garantir esse mercado. Grandes exportadores como Argentina, Austrália e Canadá reduziram as vendas externas por quebra na produção em 2003. Estes países, acredita o professor, vão querer recuperar mercado. ''Teremos que provar que somos bons'', comentou. Para ele, a manutenção das exportações é fundamental para garantir a viabilidade da cadeia produtiva, já que o consumidor interno, sem poder de compra, reduziu o consumo de carne.
No seminário, Luchiari também comentou sobre como agregar valor ao couro. O especialista informou que, atualmente, esse subproduto representa 15% do valor do boi. Por isso, o produtor precisa se conscientizar sobre a importância de manter a qualidade, eliminando práticas que estraguem o couro. Um dos exemplos é a marcação em lugar inadequado e a disseminação de carrapatos e bernes.
No setor industrial, a agregação de valores decorre do investimento em tecnologia para produzir couro acabado. Hoje, a maior parte das exportações é de couro wet blue, que rende um terço do valor pago pelo produto terminado.


