São Paulo - As operadoras de telefonia têm o desafio de oferecer serviços melhores aos clientes em 2013, sob o risco de sofrer novas intervenções da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Por má qualidade, TIM, Claro e Oi tiveram suas vendas suspensas por 11 dias, no final de julho. A situação foi normalizada após o remanejamento de cerca de R$ 4 bilhões em seus planos de investimentos destinados à melhoria do serviço e do atendimento aos clientes até 2014. Especialistas consultados pela Agência Estado avaliam que o episódio da suspensão serviu de aprendizado às teles.
''Acredito na melhoria dos serviços, mas isso não se dará da noite para o dia'', afirma a analista de telecomunicações da Tendências Consultoria, Camila Saito. Ela ressalta que as teles precisarão, como contrapartida, seguir ampliando seus investimentos para conseguir entregar uma efetiva melhoria. Um levantamento da Tendências estima que as teles devem investir R$ 70 bilhões até 2015. Os gastos serão destinados à qualidade dos serviços e à construção, modernização e expansão das redes de infraestrutura, com foco no 3G, 4G e fibra ótica. ''As empresas vão ter que cumprir os planos de investimentos, sob o risco de uma nova intervenção da Anatel'', ressalta Camila.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, vem declarando ter confiança de que as teles devem apresentar melhores serviços a partir de 2013. Um relatório preliminar preparado pela Anatel avaliando os serviços de telecomunicações, após o episódio da suspensão das vendas, demonstrou que seguem ''insatisfatórios''. ''Estamos consolidando normas sobre a qualidade nesse momento. Com certeza, no próximo relatório, as teles vão avançar mais'', disse o ministro, em referência ao resultado da primeira avaliação. Bernardo acrescentou, porém, que a Anatel vai seguir ''monitorando'' de perto os serviços.
A diretora da área de telecomunicações da Deloitte, Katia Braga Moreira, diz acreditar que o risco de uma nova intervenção por parte do órgão regulador ''já passou''. ''Haverá riscos se os planos não forem cumpridos'', ponderou, acrescentando que a demanda pelos serviços de telecomunicações, principalmente de dados, crescem de forma acelerada. ''O grande desafio das empresas será manter a qualidade com o aumento do uso de smartphones, que consomem muita capacidade de rede'', diz. Segundo ela, o cenário competitivo do setor se dará, daqui para a frente, mais pela qualidade do que necessariamente pela guerra de preços.
O próximo ano marcará ainda a véspera da Copa Mundo, quando os serviços de transmissão de voz e dados serão impulsionados não só pelos brasileiros como também pelos turistas estrangeiros. ''Os planos das teles vão se concentrar para que não haja problemas nos eventos esportivos'', diz o sócio diretor da área de consultoria de negócios em telecomunicações da KPMG, Diogo Eloi de Souza. Ele avalia ainda ser pouco provável uma nova intervenção da Anatel sobre as teles em 2013. ''Isso significaria que os planos não ficaram bem elaborados ou foram mal executados.''
Antenas
Além dos planos de investimentos, outro fator que irá colaborar para a melhoria dos serviços é a nova legislação que deverá ser aprovada em 2013 pelo Congresso Nacional e refere-se à instalação de antenas de celulares. Atualmente, mais de 250 leis municipais e estaduais dificultam a instalação de antenas de celular pelo País no ritmo necessário para atender ao crescimento dos serviços de telecomunicações. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), que representa as operadoras de telefonia, a nova lei das Antenas dará um ordenamento jurídico ao tema, sem alterar a responsabilidade constitucional dos municípios.

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