Qualidade dos grãos no pós-colheita é o desafio
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Reportagem Local 
Apesar da produção brasileira de grãos alcançar recordes a cada safra, a garantia de qualidade no setor de pós-colheita ainda é um desafio para o avanço do agronegócio. Este foi um dos temas em debate na abertura da 5 Conferência Brasileira de Pós-colheita, que reúne mil participantes, no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu. O evento começou ontem e segue até domingo, dia 23.
Durante a solenidade de abertura do evento o presidente da Cotriguaçu, Valter Pitol, enfatizou que manter a qualidade dos grãos na pós-colheita é tão importante quanto os cuidados no campo. O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Cattelan, também mostrou-se preocupado com a manutenção de qualidade dos grãos que são produzidos no Brasil. ''Chegamos a um momento em que já temos excelência na produção, mas precisamos buscar aperfeiçoamento na pós-colheita'', complementa.
O mercado nacional de grãos, as cadeias produtivas e a agregação de valor à produção foram destaque nas palestras. As perdas na pós-colheita de grãos podem resultar de fatores que antecedem a colheita, como histórico da lavoura, ou erros nas operações de colheita, secagem e armazenagem. Segundo o pesquisador da Embrapa Irineu Lorini, que preside a Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), a atenção maior dos profissionais do setor está nas perdas relacionadas à armazenagem. ''No armazenamento, as perdas acontecem sobre o produto final, que está pronto para a comercialização, o que torna as falhas no processo verdadeiras barreiras na indústria de alimentos.''
Um dos principais problemas na pós-colheita está relacionada a presença de insetos. As pragas no armazém aumentam a temperatura e a umidade na massa de grãos, favorecendo ácaros e fungos. Segundo a pesquisadora Lêda Rita Faroni, da Universidade Federal de Viçosa, além de modificar a cor, o cheiro e o sabor dos grãos, os insetos ainda podem degradar proteínas e vitaminas. A movimentação dos insetos na massa de grãos também podem formar bolsas de calor, que dificultam a aeração e a secagem.
Na avaliação do analista de mercados, Juan Jensen, o Brasil deve crescer 7,2% neste ano, ao contrário dos Estados Unidos e alguns países da Europa que ainda enfrentam cifras negativas. Com a contínua queda no desemprego, a expectativa de aumento no consumo das famílias brasileiras chega a 5% ao ano. Estes fatores impactam diretamente no mercado de grãos, porque o aumento no consumo interno deve gerar maior demanda por alimentos e a possível recuperação dos países desenvolvidos deve aumentar os preços das commodities. ''Qualquer alteração no mercado nacional ou internacional vai mexer com o agronegócio do Brasil'', conclui Jensen. É neste contexto que o Presidente da Abrapos define o objetivo de discutir os problemas na pós-colheita. ''Não podemos deixar que os nossos produtos continuem sendo questionados quanto à qualidade, sofrendo barreiras no mercado internacional e desvalorização no mercado interno'', finaliza Irineu Lorini.


