Em época de excesso de oferta, produtores de frutas, legumes e verduras perdem até 10% da produção por não conseguirem comercializar os alimentos. A estimativa é do professor universitário Eugênio Stefanelo, técnico da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Para superar um dos principais gargalos da cadeia produtiva, a solução é investir em qualidade.
''Quando o produto tem qualidade e padronização, o mercado não rejeita'', considerou o técnico. Segundo ele, o desperdício em todo o processo de produção - da colheita à comercialização no varejo - chega a 35%. A redução desse índice para 5% resultaria em preços 30% menores para os consumidores.
O engenheiro agrônomo Élcio Rampazzo, implementador de frutas da Emater, confirmou que a qualidade agiliza as vendas. ''É uma grande vantagem, pois evita perdas por deteriorização, presença de doenças e avanço no amadurecimento, no caso das frutas comercializadas antes do ponto'', disse.
A garantia de bons produtos finais começa na implantação da cultura. Isso inclui a escolha de variedades resistentes a doenças, o preparo do solo e o controle da erosão. Para garantir a adoção do manejo mais adequado, recomenda-se seguir a orientação da assistência técnica.
Na hora da colheita, os itens danificados, verdes e mal colhidos devem ser retirados. Antes da embalagem, os legumes, frutas e verduras precisam ser corretamente classificados, para garantir um padrão a todas as unidades de cada caixa. Por fim, embalagens sem danos, que não estraguem os alimentos, com rotulagem clara e fiel ao conteúdo, facilitam a comercialiazação.
Rampazzo comentou que, apesar da exigência de padrão, muitos produtores acomodam frutos desiguais na mesma caixa. Um exemplo são as embalagens de morangos. ''Os maiores sempre ficam por cima'', exemplificou. Ele esclareceu, também, que a legislação vigente permite a presença de algumas unidades fora do padrão em cada caixa. ''É para evitar a sobra de muito produto que acabaria não sendo vendido'', disse, lembrando que a região de Londrina não possui agroindústrias para aproveitar sobras com potencial para industrialização.
A venda de produtos previamente embalados para o varejo, em recipientes com menos peso, é uma forma de agregar valor às hortifrutícolas. No caso do pêssego, exemplificou Rampazzo, a divisão da caixa de dez quilos em embalagens de um quilo agrega 15% a 20% ao preço de venda. Nesses casos, as frutas devem ser de excelente qualidade.
''O cliente só paga mais caro se o produto for bom'', disse, acrescentando que o consumidor leva vantagem nessa escolha. ''Optando pelas embalagens fechadas com frutas ou legumes de melhor qualidade, evita-se o desperdício.''

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