Quadro foi melhor no início do Real
Rio de Janeiro - O economista do Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade André Urani explica que a situação geral foi melhor no início do Real, por causa do fim da inflação, da expansão da economia e dos gastos públicos elevados. ''Houve um crescimento um tanto quanto artificial, talvez, que não foi possível sustentar'', diz. As crises econômicas internacionais desde 1997 e o choque da desvalorização cambial de janeiro de 1999 geraram uma espécie de repique inflacionário e desaqueceram a economia brasileira, afetando diretamente o rendimento.
Com renda menor, o brasileiro deixa de comprar e a indústria produz menos. Os dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos mostram que entre 1994 e 1996 as vendas de produtos cresceram de 27,4 milhões para 41,4 milhões. Depois disso, começaram a cair. Entre 2000 e 2002, o movimento encolheu 8%. Em 2003 haverá outra queda e as indústrias do setor deverão vender 30 milhões de unidades, antecipou o presidente da entidade, Paulo Saab.
No mercado doméstico, as vendas de veículos passaram de 1,1 milhão para 1,9 milhão de unidades de 1993 para 1997. Em 2002, foram 1,5 milhão. A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores projeta que as vendas internas este ano encolherão para 1,3 milhão. ''Houve queda acentuada da renda e o acesso a crédito a financiamento comprometeu'', conta o presidente da associação, Ricardo Carvalho.
As perspectivas para o rendimento também são sombrias para este ano. O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Julio Sérgio Gomes de Almeida, estima que o rendimento voltará a encolher. Em 2002, recuou 2,5% sobre 2001. A recessão e a queda de renda este ano elevarão a perda acumulada de 12,3% para perto de 18% até 2003, estima o economista.





