Rio de Janeiro - O rendimento real dos trabalhadores caiu pelo décimo mês consecutivo em outubro. A queda de 15,2% na renda ante outubro do ano passado representou uma redução de 0,6 salário mínimo nos ganhos dos trabalhadores em um ano. O rendimento médio passou de R$ 979,86 em outubro do ano passado para R$ 831,10 em igual mês deste ano. Na comparação com setembro, o rendimento médio real caiu 0,7% No acumulado de janeiro a outubro, houve redução de 6,92% na renda.
Cimar Pereira atribui a queda do rendimento à situação ruim do emprego. ''São mais pessoas procurando trabalho com um panorama econômico que inibe investimentos e geração de emprego, o que leva os trabalhadores a ter menor poder de barganha na negociação dos salários'', disse. Segundo ele, o elevado grau da informalidade no emprego também contribui para reduzir a renda dos ocupados.
O número de ocupados sem carteira assinada continuou apresentando fortes taxas de crescimento em relação ao ano passado, mas recuou na comparação com setembro. O total de empregados sem carteira nas seis regiões cresceu 10% ante outubro de 2002, mas caiu 2,5% ante setembro. Ainda no mercado informal, o número de trabalhadores por conta própria (como camelôs) cresceu 6,5% na comparação com outubro do ano passado, mas caiu 0,8% ante setembro.
No lado do emprego formal, houve uma pequena melhora, com estabilidade no número de trabalhadores com carteira assinada - a tendência em setembro era de queda no emprego formal - em relação a outubro do ano passado e aumento de 0,7% ante setembro. ''Esse pequeno aumento pode ser uma luz no fim do túnel'', disse Pereira.
Ele afirmou que, ''na variação anual, os dados ainda são assustadores, mas na comparação com mês anterior começa a haver um sinal, ainda que modesto, de recuperação do mercado formal''.

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