Curitiba - O aumento dos casos de roubos de máquinas agrícolas e assaltos à propriedades rurais estão preocupando os produtores rurais. Nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado, esta situação vem se agravando em função da facilidade das quadrilhas de assaltantes que desmancham e transportam os equipamentos para os estados do Centro-Oeste e mesmo para os países vizinhos. As quadrilhas preferem roubar equipamentos novos.
As companhias seguradoras contratam investigadores particulares para tentar recuperar os equipamentos, já que a maioria dos produtores estão fazendo seguro para minimizar os prejuízos. As seguradoras acabam arcando com a maior parte do ônus. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) pretende organizar essas ocorrências por meio dos comunicados de seus sindicatos rurais.
O agricultor Aldo Motter teve dois tratores novos roubados numa das áreas arrendadas por ele para o plantio de soja, no município de Cafezal do Sul, entre Palotina e Umuarama, na região Oeste. Os tratores, um Valmet e outro Ford estão avaliados em aproximadamente R$ 142 mil.
Casos como o de Motter têm acontecido com frequência nas regiões Oeste e Sudoeste, com mais violência, disse um investigador à serviço das seguradoras que preferiu não ser identificado. Segundo ele, as quadrilhas estão mais organizadas, muitas delas são de outros estados, rendem as famílias e roubam tudo o que podem. Conforme o agente, os maiores receptadores são agricultores brasileiros com terras na Bolívia e no Paraguai. Ele calcula que estejam ocorrendo dois roubos de equipamentos por semana.
As quadrilhas preferem agir nos municípios próximos à fronteira do Paraná com o Mato Grosso do Sul ou com o lago de Itaipu porque facilita a passagem das máquinas. Outra linha de atuação dessas quadrilhas é transferir as máquinas de um estado para outro, principalmente do Paraná para Goiás e Mato Grosso.
Para transportar as máquinas, as quadrilhas desmancham os tratores em partes e, quando os equipamentos chegam ao destino, eles são remontados. Os tratores desmanchados são transportados em caminhões furgão, durante à noite. Uma vez montados nas fazendas, fica difícil localizá-los em curto prazo, disse o agente das seguradoras. Antes de concretizar o roubo, integrantes das quadrilhas ficam vários dias rondando as regiões. Muitas vezes são motoqueiros que circulam pela zona rural com placas enlameadas, que dificultam a identificação.
A localização dos equipamentos só será viabilizada cinco ou seis anos depois do roubo, quando a máquina necessitar de peças de reposição. Isso porque as seguradoras comunicam os roubos para os fabricantes que têm o número de série dos equipamentos. Os fabricantes repassam esse número para todas as concessionárias existentes no País. Quando forem solicitadas peças para esses equipamentos, será possível fazer a identificação porque a revenda é obrigada a comunicar ao fabricante a identidade de quem está comprando a peça.

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