A Inepar adotou ontem a lei do silêncio e preferiu não se pronunciar sobre a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de excluí-la da sociedade com a Telemar – operadora de telefonia fixa do Rio de Janeiro, Nordeste e Norte. A empresa paranaense foi punida pela Anatel e corre o risco de ser multada em R$ 50 milhões por estar presente em mais de uma companhia telefônica no País. A participação da Inepar era apenas de fachada, pois já havia vendido sua cota de ações para o banco Opportunity, no ano passado.
A venda dos papéis na Telemar até agora não foi ratificada pela Anatel, por isso a Inepar ainda aparece como acionista e como tal tem de ter um representante no Conselho Administrativo da Telemar. Só que na prática é um membro indicado pelo Opportunity que ocupa tal função, substituindo Atilano Oms Sobrinho, presidente da Inepar e que ocupava o assento.
Como negociou suas ações na Telemar com o Opportunity, a Inepar se sentiu liberada para entrar como acionista na Brasil Telecom – operadora de telefonia fixa que atua nas regiões Sul e Centro Oeste do País. Foi por esta participação, que ela foi acusada de estar em duas companhias telefônicas. Segundo a assessoria de imprensa da Inepar, a empresa foi ‘‘tomada de surpresa’’ pela atitude da Anatel.
A venda da participação da Inepar na Telemar ao Opportunity foi concretizada em julho do ano passado. O grupo paranaense vendeu a participação de 10,17% que detinha na companhia por R$ 546 milhões, informação que foi divulgada em fato relevante. Na época, a companhia informou que, desse montante, R$ 290 milhões seriam destinados à quitação da segunda e terceira parcelas da compra da Telemar e R$ 256 milhões entrariam no caixa da empresa. Com isso, a Inepar reduziu seu endividamento.
O vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Luiz Francisco Perrone, disse ontem que a Telemar (Tele Norte Leste Participações S.A.) pode ser multada em até R$ 50 milhões, caso o processo de investigação aberto pela agência reguladora confirme a existência de prática anticompetitiva. Além disso, segundo Perrone, a Anatel pode também multar cada uma das 16 operadoras controladas pela Telemar.
A Telemar informou ontem que qualquer alteração na atual diretoria está descartada e que a gestão da companhia não será afetada pela decisão da Anatel de afastar os representantes dos sócios Inepar, Fiago e Macal no conselho de administração da empresa.
A decisão da Anatel afetou os papéis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações preferenciais caíram 3,7%, enquanto as ordinárias amargaram perda de 2,9%. Os três sócios preferiram não comentar o assunto. Como a Inepar, a Previ, que lidera o grupo Fiago, informou por meio de sua assessoria que só se pronunciará na próxima semana.
Já o vice-presidente da Telemar destacou que a estrutura acionária da companhia permanece inalterada e que, portanto, não houve estatização da empresa. Se os três sócios fossem obrigados a deixar a empresa, a empresa de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESpar) passaria a ser o acionista majoritário. ‘‘As ações não foram confiscadas, a Anatel decidiu apenas suspendê-los do conselho de administração’’, frisou.

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