Christian RizziNilda Unsain, vendedora: ‘‘Somos fruto da globalização’’Em menos de dez anos, o comércio de Puerto Iguazú - cidade argentina na fronteira com Foz do Iguaçu - sofreu dois golpes duros. O primeiro, e mais grave, foi a dolarização da economia argentina, adotada pelo Plano Cavallo, em abril de 91, logo após a entrada em vigor do Mercosul (bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). O segundo golpe foi a desvalorização do real.
A crise de 91 quase transformou Puerto Iguazú em uma cidade-fantasma. Das 550 lojas que se dedicavam a vender produtos para os turistas, 400 fecharam as portas. Cerca de 2 mil pessoas que trabalhavam nesses estabelecimentos foram demitidas. A população do município caiu de 45 mil para 30 mil habitantes.
A crise do real reduziu o movimento em 80%, segundo lojistas consultados pela Folha. O comércio de Puerto Iguazú tem um perfil diferente do de Ciudad del Este. Especializadas em roupas de couro e lã, alimentos embutidos e bebidas, as lojas destinam-se a atender o turista que visita a Tríplice Fronteira. Ciudad del Este dedica-se principalmente ao sacoleiro. ‘‘Mas somos duas cidades que vivem em função dos brasileiros’’, resume Victor Henrique Fernandes, dono da Salame Maluco, loja de alimentos aberta há 25 anos em Puerto Iguazú.
‘‘Somos fruto da globalização’’, completa Nilda Gonzáles Unsain, balconista da rede de lojas de roupas de couro Rey Cuer. Há um ano, Nilda e os outros 14 funcionários das quatro unidades da Rey Cuer de Puerto Iguazú recebiam apenas metade do salário, devido às vendas fracas. Depois da desvalorização do real, o grupo não vai mais receber salário algum - apenas comissão - por um período mínimo de 45 dias. ‘‘Agora, os brasileiros estão preferindo comprar os produtos que vendemos aqui em seu próprio país, com a vantagem de pagar o mesmo preço, em até quatro vezes’’, compara Nilda.(V.D.)

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