Duas grandes empresas internacionais se uniram para fundar a Zona Franca de Puerto Iguazú (ZNPI) na Argentina, distante apenas 20 quilômetros de Foz do Iguaçu, prevendo negócios que movimentarão US$ 50 milhões anuais. Além de montar um complexo industrial livre de impostos visando desenvolver tecnologicamente a região noroeste do país, os diretores da Sociedade Anônima que leva o mesmo nome querem abocanhar parte dos quase 1,3 milhão de turistas que circulam no Brasil, Argentina e Paraguai, criando um gigantesco free shop aos visitantes.
A área destinada ao projeto possui 43 hectares e fica entre a aduana argentina e a Ponte Internacional Tancredo Neves, via que liga Foz a Puerto Iguazú. A empresa espanhola Mirage e a argentina London Suply já investiram US$ 4 milhões na primeira etapa, montando prédios que receberão os chamados ‘‘integrantes minoristas’’, empresários que atuarão no comércio de produtos destinados exclusivamente aos estrangeiros. Também estão sendo construídos depósitos e um centro de recepção. A fase inicial das obras ocupa sete hectares e já está praticamente 70% concluída. ‘‘A parte mais difícil foi a terraplanagem, onde removemos 200 mil metros cúbicos de terra. Em abril já devemos estar com toda a estrutura montada’’, disse o engenheiro e arquiteto responsável, Alberto Radaeli, destacando que 150 operários e 34 máquinas trabalham diariamente na obra.
Para a inserção dos chamados ‘‘mayoristas’’, a ZFPI está preparando a infraestrutura necessária para o funcionamento de máquinas industriais e computadores. ‘‘Ao contrário das zonas francas tradicionais, este parque oferecerá espaço também ao comércio varejista e às prestadoras de serviço’’, explicou o representante do Departamento Comercial da concessionária, Fernando Patané, lembrando ainda do provável reaquecimento empresarial da região.
A cidade perdeu cerca de 400 dos 550 estabelecimentos comerciais depois do ‘‘Plano Cavallo’’, medida promulgada em 1991 que levou o nome do ministro da Fazenda do país vizinho e que ‘‘dolarizou’’ a economia argentina, afastando os brasileiros do comércio local. Patané acredita que o funcionamento do complexo deve iniciar efetivamente no final de abril, garantindo já nas primeiras contratações, 500 empregos diretos.
Para o secretário de Planejamento Estratégico da Província de Misiones (região onde fica Puerto Iguazú), Oscar Alfredo Thomas, reerguer a economia local e chamar a atenção de pelo menos 30% dos turistas que visitam a tríplice fronteira são as principais vantagens que o país terá ao implantar a zona franca. ‘‘O governo deixará de recolher impostos, mas vai expandir o setor turístico e melhorar a qualidade de vida de diversas cidades da região’’, comentou Thomas, reinterando ainda o interesse da empresa em atrair os ‘‘verdadeiros turistas’’ e não os sacoleiros comuns de Ciudad del Este. ‘‘Não queremos concorrência com o Paraguai, mas tenho certeza que aqui o visitante terá segurança e garantia jurídica de que os produtos comercializados são verdadeiros.’’
Pela constituição federal argentina, as 23 províncias têm o direito de instituir uma zona franca (a lei ainda dá liberdade ao presidente de implantar outros dois complexos onde forem necessários). O parque montado na fronteira com o Brasil foi inspirado no modelo de La Plata. Outras regiões que possuem parques industriais de destaque são as províncias de Córdoba (onde ficam os principais fabricantes de automóveis) e de Ushuaia, tida como Território Aduaneiro Especial por estar localizado no extremo sul da Argentina.

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