Partindo da premissa de que não há pessoas incompetentes, mas nas funções erradas ou mal-treinadas, a psicologia pode ser usada a favor das empresas. Usar o perfil ideal para cada cargo ou função rende melhores resultados e garante uma gestão melhor, principalmente, para micro e pequenas empresas familiares. A identificação do temperamento dos diretores e dos funcionários fará com que as atitudes e as ações de cada um sejam melhor entendidas e aproveitadas.
A consultora Sandra Regina Luz Inácio, doutora em Administração de Empresas e Psicologia Clínica, garante que a gestão através da tipologia organizacional e os temperamentos pode melhorar em até 80% a gestão das empresas familiares. ''O ambiente será melhor, a produção vai crescer porque cada um vai fazer o que gosta'', salienta. O assunto foi abordado ontem durante o 1º Encontro de Empresas Familiares de Londrina e Região. Através de testes e com a própria convivência é possível identificar o temperamento de qualquer pessoa.
''Temperamento é diferente de personalidade. A personalidade é como se fosse a máscara que a pessoa usa em diversos momentos: a de profissional, dona-de-casa ou mãe, por exemplo'', explica Sandra. Ela acrescenta que o temperamento nasce com a pessoa e pode ser identificado ainda na barriga da mãe. Segundo a consultora são cinco tipos: sanguíneo, fleumático, melancólico, colérico e supina (veja quadro). Essas características são hereditárias e, geralmente, uma pessoa não congrega apenas um tipo.
A partir da identificação de cada temperamento, é possível definir a função que o diretor ou o funcionário tem maior aptidão e o melhor quadro de pessoas para formar a equipe. ''Geralmente, o fleumático se dá bem com todos os temperamentos; já dois coléricos não podem trabalhar juntos porque haverá muita briga e disputa pelo poder; dois sanguíneos também não dão certo porque haverá uma disputa pelo maior destaque'', afirma Sandra. Uma boa dose poderá ser um temperamento sanguíneo com o melancólico.
O primeiro perfil irá conseguir elevar a auto-estima do segundo. ''O sanguíneo vai fazer muitos elogios e o melancólico ficará estimulado, vai estudar mais e produzir mais'', diz a consultora. Já os coléricos não se dão bem com o perfil do melancólico. ''Ele vai 'acabar' com o melancólico'', comenta. De acordo com ela, o temperamento, o ambiente e a educação é que irão determinar o caráter de uma pessoa.
Sandra acrescenta que as empresas incorrem muito em erros em colocar os profissionais para exercer funções que não são as ideais para o seu perfil. O primeiro passo a ser tomado é identificar o temperamento de cada diretor, depois deve ser feito um manual de conduta e, talvez, instituir um conselho administrativo. ''Geralmente, quando há uma opinião de uma pessoa de fora da família os membros aceitam e colocam a sugestão em prática. Quando os temperamentos são identificados há, inclusive, um maior entendimento entre eles'', argumenta.

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