Psicóloga aponta dificuldades em outras áreas
A psicóloga Jocelaine Martins da Silveira, doutora em psicologia clínica e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que o consumo excessivo que, normalmente, leva ao endividamento, tenta preencher algum déficit que a pessoa tenha em outras áreas. ''Em geral, o que leva a pessoa a repetir essa ação pode estar relacionada às dificuldades encontradas em áreas familiar, do trabalho, entre outras. O que acontece nesses casos é que a pessoa direciona tudo para uma fonte de gratificação para preencher o vazio dessas outras áreas. Geralmente, essas pessoas, quando presenteiam, compram objetos caros como forma de externar seu afeto.''
As formas de manejar para o tratamento podem seguir duas vias. Uma delas é conseguir identificar as condições antecedentes que levam ao consumo e a outra é tentar reduzir o acesso a essas situações. ''Um paciente que gasta muito em shopping, por exemplo, deve evitar esse tipo de passeio'', diz Jocelaine. No caso de adolescentes que adquirem algo maior que sua mesada, é necessário que ele arque com essa consequência. ''A família não deve dar amparo para que a consequência seja real. Do contrário, esse comportamento poderá se repetir'', diz a psicóloga, aconselhando que a pessoa expanda as outras áreas de satisfação. Um exemplo é trocar o passeio de consumo com as crianças por um passeio cultural.
Jocelaine salienta ainda que algumas pessoas têm mais propensão que outras para desenvolver esse tipo de comportamento em razão do histórico de vida. ''É uma questão de aprendizagem. Deve-se ensinar a criança a tolerar situações frustrantes. Outra forma de aprendizagem é estipular mesada para que a criança ou adolescente saiba se programar. Usar o dinheiro de forma controlada é algo que pode e deve ser aprendido desde criança.
No Brasil, não há estatísticas sobre o assunto. Nos EUA, estudos mostram que 1% da população sofre de consumo compulsivo, cientificamente chamado de oniomania. No Reino Unido, as pesquisas indicam que esse percentual é de 3% entre os adultos e 8% entre os adolescentes. O tratamento muitas vezes é a base de terapias e medicação para ansiedade receitados por psiquiatras.(V.B.)





