Prudência antes de contratar crédito consignado
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
As propagandas anunciam: dinheiro fácil e na hora. É dessa forma que os agentes financiadores tentam conquistar quem está precisando de uma graninha extra. Uma das modalidades mais comuns dessa oferta de crédito é o empréstimo consignado: aquele que é descontado direto da folha de pagamento. Para as financeiras trata-se de uma facilidade, pois o retorno é quase 100% garantido. Já para quem solicita o dinheiro a transação nem sempre é vantajosa e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) recomenda cautela na hora de fechar um contrato do gênero.
Segundo a advogada do instituto, Lumena Sampaio, o maior problema ainda é a taxa de juros, apesar dessa modalidade de crédito ter como chamariz as menores tarifas do mercado. O juro baixo, entretanto, depende do prazo de pagamento e geralmente vale para períodos breves. ''A principal recomendação que fazemos é que o consumidor só faça um empréstimo se houver uma necessidade real porque, por menor que seja, ele sempre vai pagar algum juro'', frisou.
Outras orientações do Idec estão relacionadas com o prazo de pagamento e com o valor das parcelas. ''O empréstimo pode ser dividido em até 36 vezes e o valor pode comprometer até 30% da renda do beneficário'', destaca Lumena.
Conforme ela, o crédito consignado tem sido uma alternativa bastante procurada e os maiores alvos dos agentes financiadores são os aposentados e pensionistas. ''Isso não é à toa, nesse tipo de empréstimo os bancos têm o direito de receber a parcela referente ao pagamento da dívida diretamente do benefício pago pelo INSS e a taxa de inadimplência é quase zero'', reforça.
De acordo com o Idec, dados divulgados no final de abril pela Previdência Social dão conta que atualmente cerca de 2,5 milhões de aposentados e pensionistas contraíram empréstimos com os bancos. Os financiamentos somam o montante de R$ 5,79 bilhões.
Lumena ressalta que como a modalidade tem sido muito procurada, as reclamações também aumentaram. Desde o ano passado, o Idec, junto com outros órgãos defesa do consumidor, tem batalhado para conquistar mudanças na legislação. ''Tivemos algumas melhorias, como por exemplo a impossibilidade de os contratos serem acertados por telefone'', cita. Antes dessa medida, segundo a advogada, era recorrente casos de aposentados fecharem o contrato por telefone sem antes terem visto o documento, os juros aplicados e o prazo de pagamento estipulado.
Outra relevante mudança na legislação aconteceu recentemente e começou a ser aplicada no mês de maio: o governo estabeleceu um teto máximo de juros de 2,9% ao mês e proibiu a cobrança da tarifa de abertura de conta. ''São mudanças que estamos conseguindo aos poucos e que fazem toda a diferença'', pontua advogada.


