O mercado está indeciso quanto ao rumo que o governo dará aos juros básicos da economia na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima semana, mesmo com a forte alta do IPCA no primeiro trimestre. A confiança que os economistas e investidores do mercado financeiro tinham para opinar em relação à trajetória da Selic (taxa básica) se dissolveu depois da decisão do Banco Central de aumentá-la no mês passado.
Dos cinco analistas ouvidos pela Agência Folha, quatro afirmam que as chances de o governo subir ou manter inalterada a taxa básica são iguais. Mesmo a alta do IPCA – índice que serve de parâmetro para o governo acompanhar a evolução da meta de inflação – não foi suficiente para os economistas acreditarem que é inevitável o aumento da taxa.
O resultado do IPCA do primeiro trimestre deste ano foi superior ao do ano passado. E, em 2000, a meta de inflação era maior que a deste ano. Gina Baccelli, economista da LAM (LLoyds TSB Asset Management), diz que a alta do IPCA já era esperada e não deve ser o ponto principal na decisão do Copom. ‘‘Nos próximos dias, o governo ainda terá de estar atento aos números do balanço de pagamentos e do câmbio.’’ Segundo os analistas, a valorização do dólar em relação ao real, que continua firme, ainda vai pesar fortemente na decisão do Copom. A preocupação do governo é o tamanho do contágio da alta da moeda dos EUA na inflação.
Parte das matérias-primas utilizadas pelas empresas é importada e o aumento dos custos pode ser repassado para os preços finais, aumentando a inflação. Na última reunião do Copom, a cotação do dólar estava em R$ 2,12. Ontem, fechou em R$ 2,154.

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