A adesão da Rússia é fundamental para a ratificação do Protocolo de Kyoto. O documento - assinado em 1997 por mais de 100 países - estabelece compromissos de redução da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. A afirmação é do engenheiro agrônomo Warwick Manfrinato, do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz (Esalq). Ele participou, ontem em Londrina, do 1º Simpósio Brasileiro sobre Fixação de Carbono em Sistemas Agrícolas e Florestais. O evento é promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e termina amanhã no Hotel Sumatra.
O protocolo prevê que os países mais poluentes do mundo reduzam, até 2008, suas emissões abaixo dos níveis de 1990. Os índices variam de acordo com o volume de gases emitidos no período.
O acordo ainda não entrou em vigor porque necessita da ratificação de 55% das emissões mundiais. Como os Estados Unidos (responsáveis por 27% das emissões) abandonaram as negociações, o alcance dos 55% depende da adesão da Rússia. Ela é o segundo país mais poluente do mundo e responde por 18% das emissões.
O Protocolo de Kyoto abre perspectivas de negócios para empresas com projetos de fixação de carbono. Isso porque prevê mecanismos de flexibilização que permitem a venda do excedente da redução das emissões. Essa transação, entretanto, só pode ser feita entre países com compromisso de diminuição.
No caso do Brasil, que não está entre os principais poluentes e, por isso, não tem o compromisso, o ingresso nesse mercado depende da implementação de projetos que viabilizem o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Essas ações, segundo Manfrinato, gerariam créditos para serem comercializados com as empresas poluentes de outros países.
Os projetos com mais perspectivas de negócio dizem respeito à geração de energia não poluente - como é o caso dos combustíveis à base de bagaço de cana e biodiesel- ou o desenvolvimento de projetos florestais para fixação de carbono. No Brasil, existem 50 projetos informais para esse mercado que, de acordo com o especialista, pode vir a movimentar US$ 20 bilhões. ''O Brasil pode movimentar 10% desse valor'', informou.
Ele comentou, ainda, que já existem empresas norte-americanas investindo em fixação de carbono apesar da não adesão dos Estados Unidos. A motivação é o medo das consequências do superaquecimento da Terra causado pelo efeito estufa. Se a emissão dos gases não diminuir, em mil anos o calor será tão intenso que impedirá a vida no planeta.

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