A euforia popular diante dos protestos nas ruas das capitais e principais cidades brasileiras, cujo estopim foi o reajuste de preços do transporte público na capital paulista, refletirá nas políticas econômicas do governo federal. A opinião é dividida pelos dois economistas ouvidos ontem pela FOLHA, que lembram que as manifestações ganharam reivindicações mais amplas, como melhorar os investimentos em saúde e educação.
Professor de economia, Azenil Staviski afirma que o mercado financeiro sente, sim, o clima de insatisfação popular e se antecipa. Por isso, o Banco Central precisa vencer a inflação para evitar que o descontentamento ganhe ainda mais força. "Os protestos exigem que o governo invista melhor, o que é problema pelos altos gastos públicos. Vai ter de pensar muito no orçamento de 2014 para gastar melhor."
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, diz que o ideal seria que o governo tomasse atitudes mais austeras, pouco prováveis a pouco mais de um ano das eleições. "Não vejo possibilidade de reverter porque deveria investir melhor e cortar gastos desde o primeiro ano", conta. Ele alerta que, com a tendência de crescimento pequeno e o fantasma da inflação, o desafio é manter os níveis de emprego em alta, para evitar que a revolta ganhe peso. (F.G.)

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