A ‘‘operação-padrão’’ dos fiscais e auditores da Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal), em Foz do Iguaçu, entra em sua 9ª semana sem previsão de fim. Desde seu início, 20 de março, já foram duas operações de 24 horas, duas de 48 horas e quatro de 72 horas. O pátio da estação aduaneira do interior (Eadi) vem abrigando em média 800 caminhões à espera de liberação de cargas, sem contar que mais de 300 ficam parados do lado de fora. A operação-padrão, que gera maior rigor na fiscalização das mercadorias, é a forma encontrada pela categoria de chamar atenção para suas reivindicações.
Sua força, entretanto, não é mais a mesma. Recentemente a Associação Comercial de Foz do Iguaçu (Acifif) e a Associação Comercial da Vila Portes (Assoporte) conseguiram liminar, através de mandado de segurança, garantindo liberação de seus associados do rigor da operação-padrão. Os grevistas vinham aplicando uma dura fiscalização nos produtos vindos de Ciudad del Este, Paraguai.
Os 101 fiscais da Receita checavam em média 80% dos carros que passavam pela Ponte da Amizade. Os mais prejudicados nessa história eram os empresários da Vila Portes, bairro responsável por 80% da empresas exportadoras da cidade, que chegaram a ter suas vendas reduzidas em 60%. O movimento dos sacoleiros também caiu muito. Eles temiam ter prejuízos, caso suas mercadorias ficassem presas na receita.
A greve agora vem se concentrando na fiscalização das cargas dos caminhões no pátio da Eadi. Há caminhoneiros que chegam ficar até uma semana parados aguardando liberação de suas cargas. Para seguir viagem, eles precisam ter seus documentos checados e passar por inspeção nos ministério da Agricultura e Saúde. Com o rigor dos 185 técnicos que trabalham na estação aduaneira, esse processo se torna extremamente demorado, aumentando o custo do frete. Sem contar os transtornos de ficar tanto tempo fora de casa. A grande maioria dos caminhões que entra no pátio tem como destino o Paraguai e Argentina. As principais cargas são grãos e hortifrutigranjeiros.
Semana passada, cerca de 600 caminhoneiros bloquearam o pátio da Eadi como forma de protesto contra a operação-padrão. Houve discussões e 30 policiais militares tiveram que intervir para evitar maior confusão. Segundo, Gilberto Buss, presidente da Unafisco em Foz, a diretoria nacional já sinalizou para a continuidade da operação.
Ele disse que está respeitando as liminares e que nos dias de operação o desembaraço das mercadorias tem sido feito. Ele disse também que todas as cargas perecíveis são liberadas e que a fiscalização está sendo rígida nas conferências de cargas e nos exames de documento.
É bem provável que terça, quarta e quinta-feira a operação-padrão continue com a fiscalização na Eadi. Com a mudança de estratégia dos grevistas, a Ponte da Amizade deve ter de volta seu movimento de sacoleiros.

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