Curitiba Os agricultores familiares do Sudoeste do Parná realizaram ontem uma manifestação em oito municípios da região em função das perdas que tiveram com a estiagem. O movimento reuniu 8 mil agricultores. As maiores concentrações foram nos municípios de Chopinzinho (1 mil pessoas) e Planalto (900 pessoas). No município de Salto do Lontra, uma agência do Banco do Brasil ficou fechada durante uma hora devido ao protesto.
A manifestação também aconteceu em Coronel Vivida, Francisco Beltrão, Santo Antônio do Sudoeste, Capanema e Dois Vizinhos. Segundo o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Luís Pirin, no Sudoeste, as perdas na cultura do milho chegam a 63,8% e na soja a 42,5%. As cultura de feijão, fumo e batata também estão sendo afetadas. Na pecuária os principais prejuízos estão na produção de leite. De acordo com ele, o protesto foi pacífico. O Sudoeste tem 42 municípios mas, 27 deles foram mais afetados.
De acordo com Pirin, o Paraná conta hoje com 370 mil famílias que atuam na agricultura e 120 mil deles fizeram financiamentos. No Sudoeste são 42 mil agricultores familiares e 29 mil têm dívidas por conta de financiamentos.
Eles reivindicam a prorrogação de dívidas de investimento dos anos de 2005 e 2006, agilização do Proagro Mais (programa de seguro para a agricultura familiar) e a votação do orçamento da União por parte dos deputados federais. Além disso, os produtores querem, para a próxima safra, que o Banco do Brasil libere recursos para diversificar o máximo possível os financiamentos para custeio e financiamento e que não se restrinjam apenas a milho e soja.
Os agricultores pedem ainda empenho do Governo do Estado e tratamento igual a todos os municípios atingidos pela estiagem na liberação dos recursos para aqueles agricultores que não financiaram mas que tiveram perda acima de 30% em suas lavouras, independente de haver ou não um decreto de emergência.
Outra reivindicação é que seja garantida a Bolsa Estiagem, com participação dos governos estadual e federal, aos agricultores familiares que não contraíram empréstimo mas que tiveram perdas acima de 30% nas lavouras, mesmo nos municípios que não tiveram reconhecido o decreto de emergência.
E também que sejam garantidos recursos suficientes para Aquisição de Compra do Governo Federal (AGF) e Empréstimo do Governo Federal (EGF) a todos os agricultores familiares. Com o AGF o produtor vende o produto para o governo federal e o deposita em um armazém credenciado. O produto passa a ser do governo. No EGF o produtor retira o dinheiro no banco mas, o produto continua sendo do agricultor. O produtor tem três a seis meses para vender. Caso não consiga um preço bom, vende para o governo federal.

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