Mauro FrassomMobilizaçãoProdutores lotam as galerias da Assembléia Legislativa em protesto contra o grupo SonaeVânia Casado
Cerca de 300 pessoas entre produtores de hortigranjeiros e atacadistas, que atuam na Central Atacadista de Curitiba (Ceasa) lotaram, ontem, as galerias da Assembléia Legislativa, em protesto à rede Sonae. Eles são fornecedores de frutas, legumes e verduras para os supermercados e estão sendo obrigados a dar descontos de até 17,5% sobre o valor de venda dos produtos. Produtores e atacadistas foram pedir o apoio dos deputados estaduais para a mobilização dos fornecedores, que já dura 10 dias.
Os produtores e atacadistas estão desorientados porque estão sendo pressionados a assinar um contrato que fixa os descontos. O prazo final para assinatura do contrato era 31 de março. Mas o presidente da Ceasa, José Lupion Neto, conseguiu que o prazo de adesão fosse prorrogado até o dia 15 de abril. Ocorre que quem ainda não assinou já teve seu contrato de fornecimento suspenso, denunciou Rogério Rosa, diretor da Federação Paranaense das Associações de Produtores Rurais.
Para agravar a situação, quem já assinou o contrato está arcando com uma dívida junto aos supermercados porque alguns descontos são retroativos a 1998. Segundo Rosa, cerca de 60% dos fornecedores assinaram o contrato sob pressão. Isso porque os representantes dos supermercados Mercadorama, Real e Big entraram em contato com os produtores e atacadistas e afirmaram que quem não assinasse o contrato sairia fora do cadastro de fornecedores. E mais, se quisessem a voltar a fornecer para os supermercados teriam de pagar uma ‘‘luva’’ de R$ 2.500,00 por item. E cada fornecedor entrega mais de 100 itens.
A tabela de descontos que está sendo imposta aos fornecedores é retroativa à 1º de janeiro de 99 nos supermercados Big e Mercadorama, disse Rosa. Eles querem descontos de 5,5% para utilizar a infra-estrutura da Cadeia de Abastecimento (distribuição de produtos), mais 6% a título de ‘‘rappel’’ termo que significa investimentos para ampliação e modernização da rede de supermercados, 2% de verba publicitária e 1,5% de promoções de aniversário de rede, totalizando descontos de 15% em todas as operações de venda efetivadas ao grupo.
Descontos de bonificação também existem em outras redes, mas em nível bem menor, suportável para os fornecedores, afirma Rosa. O Wal Mart cobra 3% sobre o valor da compra a título de bonificação por fidelidade. O Carrefour cobra um total de 4%, sendo 3% de bonificação por fidelidade e 1% de despesas financeiras.
Cerca de 50% da produção de olericultura e 40% da produção de frutas do Paraná em 1998 foi comercializada pelos supermercados de Curitiba. Segundo Rosa, o Sonae já controla 70% do mercado varejista local.

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