Curitiba - Os portões da indústria de fertilizantes Fosfertil, em Araucária, foram local de protestos contra a alta do produto que vem prejudicando as contas da lavoura em todo o País, em especial na agricultura familiar, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Paraná (Sindiquímica) e o Comitê em Defesa dos Pequenos Agricultores e Trabalhadores, também organizadores do ato.
Ainda pela manhã, cerca de 300 pessoas seguiram em passeata da Praça Santos Andrade, no centro da cidade, até o Palácio Iguaçu e Assembléia Legislativa, onde pediram a volta do comércio direto com a fábrica. ''Quando a Fosfertil foi privatizada há 15 anos, o agricultor passou a ser obrigado a comprar dos misturadores que, também, são as donas da fábrica, ou seja, cartelizou. Com a perda da compra direta, onerou a lavoura'', afirma Paulo Roberto Fier, da Sindiquímica. Ele complementa que, ''além de aumentar o preço dos fertilizantes, a Fosfertil ampliou a cota mínima de compra, o que impede o acesso dos pequenos agricultores aos produtos''.
O protesto é um desdobramento da audiência pública da última segunda-feira quando deputados estaduais e trabalhadores discutiram sobre o oligopólio do setor no Brasil. A Fosfertil é controlada hoje por três multinacionais, entre elas a holandesa Bunge, cuja sede mundial fica nos EUA. Atualmente, o Brasil importa mais de 70% da matéria-prima de fertilizantes que consome, comércio realizado pelas controladoras da fábrica. A reportagem não conseguiu falar com a Fosfertil até o fechamento desta edição.

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