Produtores rurais realizam hoje, em Brasília, manifestação contra o governo federal no chamado ‘‘Grito do Ipiranga’’. É previsto a presença de 12 governadores, que terão audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar dos seguidos pacotes de ajuda, o setor não está satisfeito.
  No Paraná, mais de 80 pontos, entre rodoviais e linhas férreas, devem ser bloqueados hoje por agricultores. O protesto pretende chamar a atenção da população e das autoridades para a grave crise pela qual passa o setor. Empresas ligadas ao agronegócio e cooperativas também devem paralisar suas atividades e até postos de combustíveis de todo o Estado podem permanecer fechados por algum tempo em apoio aos agricultores. Nenhum trem vai circular pelas ferrovias do Norte do Estado entre 8 e 16 horas.
  Na região deverá ocorrer manifestações em pelo menos sete municípios: Londrina, Arapongas, Santa Mariana, Sertanópolis, Jataizinho, Bela Vista do Paraíso e Jaguapitã. Os agricultores, que preferem não se identificar, prometem fechar rodovias e impedir todo o trânsito de cargas de produtos derivados do agronegócio. Ontem, as linhas férreas de Ibiporã e de Arapongas continuavam bloqueadas enquanto máquinas agrícolas e tratores já estavam nas estradas de todo o Estado.
  Entre outras coisas, os manifestantes pleiteiam a garantia de preço mínimo, alongamento das dívidas já contraídas em financiamentos, redução das taxas de juros, mudanças na política cambial e implantação do seguro agrícola. Durante toda a semana passada agricultores de vários municípios bloquearam pontos da linha férrea, impedindo o tráfego dos trens. A América Latina Logística (ALL), concessionária que administra as ferrovias paranaenses, chegou a recorrer à Justiça e conseguiu a reintegração de posse. No entanto, as decisões tiveram pouco efeito prático porque os agricultores mudaram várias vezes de local.
  Os produtores rurais não souberam informar se a manifestação será encerrada hoje ou se prossegue por tempo indeterminado. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou comunicado ontem em que afirma que os agricultores estão enfrentado uma ‘‘crise de renda, conseqüência direta da falta de sensibilidade do governo federal’’. A nota ainda diz que o dólar despencou de R$ 3,10 para R$ 2,06 desde o primeiro semestre do ano passado, enquanto os custos de produção subiram por causa da alta do petróleo.
  Um levantamento mostra que os preços dos combustíveis subiram 185% durante o período, enquanto os fertilizantes aumentaram 35% e os agroquímicos, 133%. Além disso, a defasagem de preços acumulada seria de 75% para a mandioca, em 54% para a soja, 43% para a carne suína e 38% para o milho. O porta-voz da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, disse que a entidade participa e apóia o movimento. A Faep elaborou e custeou as peças com as reivindicações do movimento.
    O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, disse que as sociedades rurais apóiam o movimento e, inclusive, estão participando da manifestação. ‘‘O agricultor está enfrentando a pior crise dos últimos anos’’, salientou. A Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) também divulgou nota oficial recomendando as prefeituras municipais para que integrem ponto facultativo em solidariedade ao movimento nacional dos agricultores e recomenda ainda que as prefeituras permaneçam fechadas, inclusive, sem transporte escolar.

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