Cerca de 250 pessoas fecharam ontem a Ponte da Amizade (Brasil/Paraguai) por três horas em protesto às medidas adotadas pelo governo paraguaio de combate ao comércio informal na região aduaneira. A Polícia Nacional acionou o pelotão de choque e um tanque antimotim para dispersar os manifestantes. Houve princípio de tumulto. O bloqueio só foi desfeito com uso de força por parte dos soldados.
O manifesto começou logo cedo, às 6h45, quando um grupo de mulheres, a maioria vendedoras de alimentos e bebidas, cercou a frente da aduana de Ciudad del Este (cidade vizinha de Foz do Iguaçu). Elas fizeram um cordão para impedir a passagem de ônibus de turismo, de transporte coletivo, táxis e outros veículos leves. Somente motos e pedestres conseguiram cruzar a barreira.
Durante protesto, as ambulantes criticaram as medidas adotadas pelo governo nas duas últimas semanas, que tendem a agravar o índice de desemprego. A primeira foi a retirada dos comerciantes que tinham autorização especial para vender seus produtos na aduana da Ponte da Amizade – um dos pontos de grande concentração de pedestres na zona fronteiriça (maior parte sacoleiros) e de veículos. A medida visa agilizar o tráfego na região e facilitar a fiscalização das importações.
Outro ponto combatido foi a concorrência com os brasileiros por postos de trabalhos nas lojas de Ciudad del Este. Dos cerca de sete mil existentes em 1994, sobraram apenas 1,6 mil, segundo estimativa do presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Chariff Hammoud. Os fechamentos agravaram a disputa por ocupação entre os trabalhadores da fronteira.
Os protestantes atacaram, ainda, a convocação das Forças Armadas para ajudar os fiscais no combate ao contrabando de mercadorias brasileiras, que são revendidas no país vizinho. Com reforço na fiscalização, a maioria dos paraguaios que atravessa a Ponte da Amizade – a pé, de carro, moto ou bicicleta – foi impedida de revender os produtos comprados em Foz do Iguaçu.
Os paraguaios também criticam a taxa de 10% imposta a 332 produtos importados (entre eles, alimentos, bebidas, vestuários, confecção e até materiais de construção), inclusive dos países membros do Mercosul. Em vigor desde anteontem, a taxa foi implantada na tentativa de proteger o mercado interno paraguaio, mas acabou prejudicando os revendedores, que são obrigados a repassar o índice aos consumidores. Ainda não há uma balanço na queda das vendas.
O chefe da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), Blas Aguero, mesmo diante dos argumentos dos ambulantes, afirmou que toda as medidas tomadas nas últimas duas semanas serão mantidas. Ele lembrou que a sobretaxa será mantida até 31 de dezembro de 2002, como determinou o governo paraguaio, além de frisar que haverá um aumento na arrecadação de tributos em virtude do novo imposto.

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