Protesto muda cenário do Calçadão de Londrina
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terça-feira, 23 de maio de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os tratores, que há duas semanas já tinham deixado o campo para protestar nas rodovias do Paraná, ontem invadiram a cidade. Um 'tratoraço', com cerca de 100 veículos de toda a Região Norte percorreu as ruas centrais da cidade para parar o Calçadão de Londrina. A agência central do Banco do Brasil foi fechada, literalmente, pelas máquinas que ostentavam bandeiras do Brasil. O trânsito no cruzamento entre a Avenida São Paulo e a Rua Sergipe foi interrompido até às 15 horas. Cerca de 500 agricultores tomaram o Calçadão.
A agricultura pede socorro. Em faixas ajustadas entre os tratores, palavras de ordem contra o presidente; em panfletos distribuídos à população, a explicação para o protesto. Os motores chegaram a ficar ligados por dois minutos. O agricultor Vilson Mouro, de Londrina, encenou o próprio enforcamento em frente à agência do BB. ''Não queremos esmola do governo, queremos uma política justa de preços. Temos ciência das nossas dívidas, mas queremos uma prorrogação para conseguir pagar, estamos com secas há dois anos que atingiram quatro safras'', disse.
No Calçadão, opiniões divididas entre os clientes que tiveram dificuldades para sair da agência bancária. ''Tá difícil de acreditar neles (produtores rurais). Olha os tratores que eles têm, a maioria da população não tem nada disso'', afirmou o professor Joacir Monteiro. Já o vigilante Rogério Luciano tem outra opinião. ''Acho que o movimento está certo porque eles estão ganhando muito pouco'', comentou. O aposentado Carlos da Silva estava no calçadão observando a manifestação. ''Tem que fazer mesmo (o protesto). Eles têm que chamar atenção do nosso governo, que está feio'', observou.
As principais reinvidicações dos produtores são: alongamento das dívidas dos produtores por prazo compatível com suas necessidades; retirada de impostos dos insumos agrícolas, o que reduziria o custo de produção; abertura da importação dos insumos agrícolas; cumprimento dos preços mínimos para os produtos agrícolas; e implantação de uma política de seguro agrícola. ''O nosso protesto é simbólico, fechamos a agência Banco do Brasil que é o nosso maior agente financeiro'', afirmou Luiz Fernando Kalinowski, presidente do Sindicato Rural de Londrina.
Já o produtor rural Antônio Osvaldo Terassi, deixou Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) para participar da manifestação. ''Me sinto constrangido de atrapalhar os transeuntes, mas estamos tentando sensibilizar as pessoas da cidade que não sabem dos problemas que acontecem no campo. O governo está surdo e a agricultura está à beira do caos. Se nossas reivindicações não forem atendidas entraremos em um colapso social'', avaliou. O agricultor Ademir Pirani, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), disse que pretendia chamar atenção do governo para a ''vergonha'' da política agrícola.
''Estamos passando fome com comida na mesa. O ministro (Roberto Rodrigues, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) só faz promessas'', comentou Pirani. Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, o desafio da manifestação é conseguir transformar a teoria em prática. ''As medidas demoram para chegar ao produtor, que não podem esperar mais. As poucas medidas anunciadas em abril pelo governo estão chegando aos bancos só agora'', informou.


