Dezenas de pessoas, entre taxistas, professores e funcionários públicos argentinos, bloquearam durante três horas o acesso à Ponte Internacional Tancredo Neves, via que liga Foz do Iguaçu à cidade de Puerto Iguazú. Entre outras reivindicações, os moradores do país vizinho queriam o direito de voltar a comprar frango, leite e verduras no Brasil.
A aquisição destes e outros produtos foi proibida desde a semana passada pelo governo argentino, que também impôs uma redução na cota de compras no exterior, baixando o limite de 100 para 40 pesos. Segundo a fiscalização da aduana argentina, as determinações fazem parte do pacote de ajustes econômicos do ministro Domingo Cavallo. Revoltados com a limitação nas compras, cerca de 150 pessoas fecharam a rodovia internacional por volta das 8h30, portando faixas e cartazes exigindo a liberdade de comprar produtos mais baratos na cidade vizinha. ‘‘Temos que lutar pelo que é nosso. Se não nos dão emprego, que nos dêem esse direito’’, disse o taxista Antônio Roblero, citando diferenças gritantes na cesta básica de ambos os países. Enquanto o quilo de frango em Puerto Iguazú custa quase R$ 6,50, em Foz o preço oscila entre R$ 1,80 e R$ 2,00. Já a dúzia de ovos chega a custar R$ 4,50 na cidade argentina, quase três vezes mais no Brasil.
Enquanto táxis e vanz bloqueavam parte da pista, pneus foram queimados na outra via, impedindo o acesso dos turistas e visitantes à cidade. Uma comissão foi até a direção da aduana argentina, levando as solicitações dos manifestantes. Depois de uma hora, ficou acertado que a compra de verduras e dois frango resfriados (por mês) não será mais incluída na cota determinada pela fiscalização. O acordo foi aprovado e repassado também para a polícia local, que liberou a pista por volta das 11h30.

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