RIO - Empurra-empurra, agressões e discusões entre policiais militares e manifestantes marcou, no início da noite de ontem, o protesto em frente a Bolsa de Valores, no centro do Rio, contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. No tumulto entre policiais militares e manifestantes, o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Kerison Lopes, de 20 anos, acabou atingido por cassetetes no nariz e na barriga. O estudante Rui Pereira da Silva foi detido e levado para a 1ª Delegacia Policial (Praça Mauá) por desacato a autoridade.
Até o final da noite de ontem, o clima era tenso no local. Os manifestantes só puderam permanecer diante da Bolsa de Valores até às 21h00, segundo determinação da Secretaria de Segurança Pública. Após esse horário, eles seriam retirados pela PM. Eles disseram que o juiz da 29ª Vara Criminal, Carmo Antônio Sabino, havia concedido habeas-corpus para que permanecessem diante do prédio da Bolsa de Valores e ficassem em vigília durante toda a madrugada. O juiz negou a informação.
O conflito entre policiais e manifestantes começou por volta das 18h00 - horário determinado pela polícia para que os protestantes saíssem de frente do prédio da Bolsa de Valores - quando pelo menos 300 PMs tentavam retirar os cerca de 60 manifestantes, sindicalistas e parlamentares e evitar que eles ficassem em vigília até hoje cedo diante do prédio da Bolsa de Valores - onde poderá ocorrer o leilão da privatização da empresa Vale do Rio Doce - na Praça XV, no centro.
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Orlando Silva Junior, disse que pelo menos 120 ônibus - vindos da Baixada Fluminense e do interior do Estado - vão chegar ao Rio e se juntarão aos manifestantes diante da Bolsa de Valores. ‘‘Faremos uma grande manifestação para impedir a venda da nossa maior empresa de mineração’’, disse. De acordo com Junior, a expectativa da UNE e lideranças sindicais é reunir cerca de 20 mil pessoas para um grande protesto contra a privatização da empresa. Outros grupos, porém, baixaram o número esperado para 5 mil.
Vigília RIO - No começo da tarde de ontem, cerca de 200 pessoas se concentraram em frente à sede do BNDES, no Centro, cantaram o Hino Nacional e atearam fogo a um boneco com uma faixa presidencial, representando o presidente Fernando Henrique. Sob o boneco, Marcos Lima, da direção regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), pôs cópia da emenda constitucional da reeleição.
Hoje os manifestantes, comandados pelo Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon), entidade presidida pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho, farão uma passeata, que sairá às 9h00 da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e se concentrará em frente à Assembléia Legislativa. O vice-presidente do Modecon, Paulo Ramos, previu uma invasão à sede da Bolsa. ‘‘Será difícil para a PM controlar a fúria dos cidadãos’’. Entre os políticos que discursaram na porta do BNDES, um dos mais exaltados era o deputado federal Lindberg Faria (PC do B) que incitou o ‘‘povo a resistir às ações da PM’’. .

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