Protesto em Foz fecha estação aduaneira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de março de 2004
Victor Ramos<br>Agência Folha 
São Paulo - Um protesto de caminhoneiros fechou ontem a entrada da Estação Aduaneira e Interior (Eadi Sul), em Foz do Iguaçu (639 km de Curitiba). Com isso, ficaram impossibilitados de ultrapassar a fronteira entre Brasil e Paraguai os caminhões que se dirigiam nos dois sentidos. De acordo com os organizadores do protesto e com a Polícia Federal, não houve qualquer confronto durante a manifestação em Foz do Iguaçu.
O protesto teve início por volta das 8 horas e foi organizado pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado do Paraná (Sindicam), com o objetivo de pressionar os governos brasileiro e paraguaio a diminuírem os tributos que incidem sobre a categoria.
''Nós queremos que o governo (brasileiro) isente os caminhões paraguaios de pagarem 25% sobre o valor do frete ao entrarem em território brasileiro para que o governo paraguaio não cobre os atuais R$ 187 por caminhão brasileiro quando este cruza a fronteira para o Paraguai'', afirmou Jeová Pereira, membro do Sindicam e coordenador do movimento.
De acordo com estimativas do sindicato, cerca de mil caminhões atravessam a fronteira por dia. Pereira disse que o protesto continua até que haja um posicionamento oficial. ''Nós estamos cansados de ser roubados. Somos roubados nas estradas, nos postos e pela Receita Federal'', disse Pereira.
Pereira afirmou que se o ato promovido pelos caminhoneiros não for suficiente para resolver a questão, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) irá se juntar ao movimento. ''Nós mantivemos contatos com eles e, se for necessário, eles ajudarão na ocupação da Eadi Sul'' disse ele. No final da tarde de ontem, os portões da aduaneira foram abertos, mas os caminhoneiros permaneceram parados, numa demonstração de apoio ao movimento.
Segundo Luiz Bernardi, superintendente da Receita Federal no Paraná, a instituição ainda não tem uma posição oficial com relação aos protestos em Foz do Iguaçu.
Ele afirmou que foi enviado um ofício para as empresas transportadoras pedindo informações sobre o procedimento tributário utilizado com relação aos caminhoneiros autônomos. Somente de posse dessas informações, a Receita Federal poderá se definir com relação ao problema.


