Curitiba- Aproximadamente 600 produtores rurais, com 400 tratores e caminhões, ocuparam as ruas de Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), ontem de manhã, em protesto contra a política agrícola do governo. Os produtores reclamam das baixas de preços dos produtos, causadas principalmente pela queda do dólar, e reivindicam uma política de apoio, com preços compatíveis ao valor da produção, que garanta renda ao produtor.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Castro, Eduardo Medeiros Gomes, um dos exemplos é a produção de leite, uma das principais atividades da região dos Campos Gerais. O produtor gasta R$ 0,50 na produção, mas o valor do litro para venda está em apenas R$ 0,41, ou seja, há uma perda de 18%. Os prejuízos chegam a 16,67% para os suinocultores; 26,52% para os produtores de trigo; 19,71% para os produtores de milho e 0,15% para os produtores de soja.
''Não estamos pedindo mais prazo ao governo, o que queremos é uma política de preços justa, de acordo com a lei, que prevê que o preço de venda seja igual ao custo de produção mais 30%'', diz Gomes. Com isso, o valor de venda do leite chegaria a R$ 0,65 o litro e o quilo do suíno a R$ 2,10, contra os R$ 1,62 que estão sendo vendidos atualmente.
Os produtores alegam que, caso o governo não interfira e estabeleça preços mínimos, muitos podem ficar sem capital, inviabilizando a continuidade sde seus negócios. ''Nós estamos sendo injustiçados, porque estamos sustentando sozinhos o ajuste das contas externas brasileiras do governo com o preço dos commodities agrícolas'', reclama o presidente da Sociedade Rural de Ponta Grossa, Luiz Eduardo Pilatti. Essa é a terceira mobilização realizada por produtores dos Campos Gerais desde o início do ano.

mockup