Curitiba – O protesto nacional dos agricultores provocou o bloqueio de 108 trechos de rodovias no Paraná, sendo 101 de rodovias estaduais e sete federais até às 16h10 de ontem. As informações são das Polícias Rodoviária Federal Estadual. Segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) teve a participação de 100 mil produtores rurais no Estado. O número de pontos de rodovias fechadas superou as previsões da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) de que 71 pontos de tráfego no Estado seriam fechados. A previsão da Faep era que o movimento fosse encerrado até às 18 horas de ontem.
  Os agricultores querem alongamento das dívidas, preço mínimo para a comercialização de produtos, mudança na política cambial e redução dos juros cobrados pelos bancos.
  De acordo com informações da PRF e da PRE, as paralisações foram pacíficas em todo o Estado. ‘‘Tem alguns protestos que bloqueiam a passagem somente de caminhões, em outros os agricultores não deixam ninguém passar‘‘, disse o tenente da PRE, Sheldon Voltolin. Os agricultores permitiam a passagem de ambulâncias e veículos com cargas perecíveis.
  Nas rodovias estaduais, os bloqueios atingiram as regiões de Curitiba, Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Pato Branco. As interdições nas rodovias começaram a zero hora de terça-feira.
  As maiores mobilizações de agricultores aconteceram na BR-376 Curitiba-Ponta Grossa, km 503 trecho no qual os veículos eram liberados a cada 30 minutos, o que provocou filas de até 14 km para cada lado. Na BR-376 em Paranavaí era impedida a entrada de veículos oriundos de São Paulo e Mato Grosso do Sul no Paraná.
  De acordo com o inspetor do Núcleo de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal, Maurício Hugolino Trevisan, duas rodovias foram atingidas pelos protestos - a BR-277 e a BR-373. Nesta última, no Km 220, a praça de Imbituva, próxima de Ponta Grossa, teve o bloqueio da praça de pedágio a cada 30 minutos. Ainda na BR-373, no trevo Guará, km 38, o trecho foi fechado com mil manifestantes, 200 caminhões e 250 tratores.
  Já na BR-277, os agricultores bloquearam a rodovia em cinco municípios. No km 453 trevo Laranjeiras do Sul-Rio Bonito havia mil pessoas e 300 máquinas agrícolas. No km 550, trevo Catanduvas eram 150 máquinas e 850 pessoas. No Km 580, na região de Cascavel, havia 400 máquinas e mil manifestantes. No Km 668 em São Miguel do Iguaçu eram 400 máquinas e mil pessoas. E no Km 704 da BR-277 na praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu das oito cancelas, um foi liberada (Cascavel-Foz do Iguaçu) e mais duas no sentido Foz-Cascavel. Ainda na BR-277, no Km 621 em Céu Azul houve o fechamento total do trecho com 30 máquinas e cem pessoas.
  Um levantamento parcial realizado pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP) apontou que 70% das 399 prefeituras do Paraná fecharam as portas e decretaram ponto facultativo em apoio ao protesto dos agricultores. As prefeituras que aderiram ao movimento foram de nove microrregiões. ‘‘A causa é nobre, sem dúvida. Mas, além disso, é importante entender que os problemas da agricultura afetam diretamente a arrecadação de tributos dos municípios. A agricultura é a base da economia de grande parte das nossas prefeituras‘‘, justificou. Vários municípios tiveram paralisações do comércio em apoio ao protesto em cidades como Maringá, Iporã, Umuarama, Apucarana e Cascavel, entre outros.
  Em solidariedade ao movimento dos agricultores, os sindicatos do interior filiados à Federação de Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar) colocaram 2 mil caminhões nas estradas para bloquear as rodovias.
  O governador do Paraná, Roberto Requião, manifestou a solidariedade do governo do estado ao protesto dos agricultores. A manifestação de apoio foi reafirmada ontem durante a reunião de secretariado no Museu Oscar Niemayer, em Curitiba.

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