Agência Estado
De São Paulo
Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical destruíram ontem, com pontapés na lataria e pulos sobre a capota, dois velhos veículos Fiat modelo 147, em frente ao escritório central da montadora, na Avenida Paulista, em São Paulo. O protesto, um mês depois de confronto entre sindicalistas e a polícia na fábrica da Fiat em Betim (MG), começou com uma passeata reunindo cerca de 500 metalúrgicos.
Os dois modelos 147 abriam a passeata, puxados por dois jumentos. Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, os animais simbolizavam a diretoria da montadora ‘‘que não dialoga porque é burra’’.
No trajeto, os trabalhadores pararam o trânsito da avenida no sentido Consolação e militantes conclamaram a população a não comprar ‘‘as carroças da Fiat, feitas com trabalho escravo’’, numa referência ao fato de a montadora pagar salários menores do que a concorrência.
A Fiat registrou em cartório cartas que foram enviadas para o presidente da Confederação dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, o Guiba, e para Paulinho, nas quais aponta ‘‘ameaças’’ feitas pelos sindicalistas em declarações e afirma que se forem concretizadas, as entidades e seus dirigentes podem ser responsabilizados criminalmente. As declarações se referem a uma campanha nacional contra os carros da marca e eventual sabotagem na fábrica.
‘‘Se quiser, pode processar’’, reagiu Paulinho. ‘‘Um processo demora 10 anos no Brasil e nesse tempo podemos fazer um estrago contra a imagem da Fiat que ela nem imagina.’’ Os metalúrgicos reivindicam contrato nacional de trabalho e abertura de negociação para aumento de salários.Metalúrgicos da CUT e Força Sindical encerraram manifestação na porta da montadora
Marie Hippenmeyer/France PresseQUEBRA-QUEBRACom pontapés na lataria e pulos sobre a capota de um Fiat 147, manifestante destrói carro na porta do escritório da Fiat, em São Paulo

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