Curitiba - Durante a manhã de ontem diversas manifestações em defesa dos direitos trabalhistas foram realizadas no Centro de Curitiba. O principal tema levantado foi a redução da jornada de trabalho. A meta é diminuir de 44 para 40 horas semanais. A mobilização, batizada de Jornada Nacional de Lutas, foi realizada em diversas cidades do País. Em Curitiba, as atividades foram organizadas pela Coordenação dos Movimentos Sociais.
A passeata percorreu por ruas da cidade e terminou com a reunião de aproximadamente 700 pessoas na Boca Maldita, ao meio-dia. A mobilização rendeu outras manifestações. Funcionários da Kraft Foods do Brasil bloquearam o Km 600 da BR-376, em frente da sede da empresa, por aproximadamente uma hora. Eles pediram pela construção de uma passarela para os pedestres atravessarem a rodovia. O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) também participaram do protesto pedindo a discussão do acordo coletivo 2009/2010.
Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roni Anderson Barbosa, a diminuição da carga horário pode gerar 120 mil empregos no Estado. As reivindicações incluíam melhores empregos e salários, manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas e sociais, fim do superávit primário, redução da jornada sem redução de salário, reforma agrária e urbana e investimentos em políticas sociais.
A classe empresarial acredita que as mudanças exigidas pelos sindicatos não trarão benefícios reais aos empregados. ''A convenção coletiva do trabalho já contempla o que eles estão pleiteando, que são os acordos coletivos. Basta que os sindicatos conversem com as categorias específicas. A maioria delas já tem horários diferenciados'', explica a presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Avani Slomp Rodrigues.
A exigência do aumento do valor pago para a hora extra (de 50 para 75%) também não é aceita pelos empresários. ''Esse valor é um absurdo. O empresário não vai absorver esse custo. Quem vai pagar é o consumidor final'', diz Avani.
Segundo a presidente da ACP, as exigências feitas por diversas categorias estão longe de acontecer. Uma comissão geral está se mobilizando em conjunto de confederações que representam o setor empresarial, com o objetivo de conscientizar os sindicatos sobre o assunto.
Atualmente, funcionários da indústria e do comércio são as duas principais categorias que trabalham as 44 horas semanais. ''É necessário analisar cada segmento e os sindicados têm liberdade para discutir com cada um deles. Na maioria das vezes o funcionário já trabalha menos de 40 horas por semana'', conta Avani.
A categoria dos empresários afirma não acreditar que haverá aumento de vagas de trabalho, principalmente na indústria, caso a carga horária diminua. Para eles, no momento de crise financeira não é a hora ideal para discutir sobre isso. O possível seria iniciar a discussão sobre uma reforma trabalhista, mas não engessar a legislação.
O advogado Roland Hasson, professor de direito trabalhista da PUCPR, diz que o Brasil tem uma grande massa de trabalhadores empregados na indústria de montadoras. Esses metalúrgicos constituem a categoria mais forte do País e conseguiram, através de protestos, trabalhar 40 horas por semana. ''A lei vem atrás de fatos concretizados. Grande parte das pessoas já não trabalha 44 horas. Mas toda conquista é difícil. O custo do empresário vai aumentar. Ele deveria diminuir o lucro e se adequar a uma nova realidade'', opina.

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