Curitiba A inadimplência em Londrina, indicada pelo volume de títulos protestados de pessoas físicas e jurídicas, disparou 28,9% em agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O aumento foi puxado pelos protestos de pessoa física, que apresentaram alta de 63,5%. No caso de pessoa jurídica, o aumento foi de 1,3%. As informações foram fornecidas com exclusividade à Folha pela Serasa, maior empresa do Brasil em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios.
Os dados de Londrina destoam do que vem sendo registrado no resto do Estado e do País. No Paraná, por exemplo, o volume de títulos protestados de pessoas físicas e jurídicas aumentou 3,8% em agosto deste ano em comparação com agosto de 2001. A alta também foi puxada por protestos de pessoa física, que foi 11,9% maior em agosto de 2002. O volume de protestos de pessoa jurídica caiu 0,4% no Estado, comparando os dois períodos.
De acordo com o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, assim como Londrina, algumas cidades brasileiras têm apresentado volumes de protestos que destoam da média nacional. Segundo ele, isso se deve a falta de metodologia para a concessão de crédito. ''É o comércio precisando fazer caixa e concedendo crédito sem metodologia'', explica. Ele diz ainda que por causa da retração nas vendas, os comerciantes acabam facilitando demais o crédito.
''No caso de Londrina, muito mais do que questões conjunturais é essa a explicação para o volume tão alto de protestos'', diz. Almeida lembra que a economia na região de Londrina se baseia na agropecuária, um dos setores de melhor desempenho atualmente e que vem sustentando o PIB brasileiro.
Em Curitiba, o volume total de protestos aumentou 1,3% em agosto de 2002, em comparação com agosto de 2001. Nos protestos de pessoa física o aumento foi de 6,3% e nos de pessoa jurídica houve recuo de 0,8%.
Os dados do Paraná não acompanham a tendência nacional, pois o volume de títulos protestados de pessoas física e jurídica em todo o Brasil teve queda de 2,7%, totalizando 745 mil protestos, na comparação agosto 2002-2001.
A queda no volume total de títulos protestados no País foi causada pelo recuo de 7,2% no volume de protestos de pessoa física. Em agosto deste ano foram registrados 355 mil protestos de pessoa física em todo o território nacional, representando média diária de 16 mil títulos. A menor inadimplência de pessoa física é atribuída aos recursos do acordo do FGTS usados na regularização de pendências.
De acordo com a Serasa, o consumidor está mais cauteloso na hora de assumir novos compromissos, pois aguarda as definições na economia para voltar às compras, o que deve acontecer de forma mais acentuada no último trimestre.
Na comparação agosto 2002-2001, os protestos de pessoa jurídica em todo território nacional tiveram uma alta de 1,8%, totalizando 390 mil títulos, com média diária de 18 mil protestos.

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