Protesto de títulos cai 22,3% no Sul do País
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terça-feira, 09 de abril de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O número de protestos de títulos caiu 22,3% no Sul em março, em relação ao mesmo mês de 2012, diferença maior do que a retração de 16,4% da média nacional. Na comparação do acumulado deste ano com o primeiro trimestre do ano passado, o índice baixou 7,8% nos três estados da região e 7,1% no Brasil, segundo divulgado ontem pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Apesar da redução da inadimplência, a opinião de economistas é de que a diferença é pouca para levar a um barateamento do crédito, mas que o consumo se mostra um pouco mais consciente.
O economista Flávio Calife, da Boa Vista Serviços, lembra que houve aumento de 11% no primeiro trimestre de 2012 sobre o mesmo período de 2011. Por isso, a queda de 7% deste ano é sobre uma base de comparação elevada. Mesmo assim, ele considera que a tendência é de redução neste ano. "Algumas variáveis como a concessão de crédito um pouco mais restrita, a manutenção de juros menores com prazos relativamente maiores e o mercado de trabalho favorável corroboram para um cenário que deve se manter com queda nos indicadores da inadimplência."
Situação que não permite que se "solte foguetes de alegria", conforme o economista Renato Pianowski, professor da Universidade Estadual de Londrina e consultor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). "Diminuir o número de protestos é sempre algo favorável, mas a inadimplência continua alta e há muita gente endividada no cartão de crédito", afirma, ao lembrar que o sistema tem as taxas de juros mais altas. Ele diz que a situação é fruto da política federal de estímulo exacerbado ao consumo, sem que ocorra um barateamento da produção para que a economia seja autossustentável.
Para o consultor Charles Vezozzo, especialista em finanças pessoais e empresariais, a queda da inadimplência poderia indicar consumo menor ou maior consciência da população. Como a expectativa do governo para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 3% para este ano, maior do que o 0,9% de 2012, ele acredita que os consumidores passaram a planejar melhor as compras. "Quando há um aumento do poder aquisitivo como o que ocorreu no País, as pessoas começam a consumir coisas que não tinham a oportunidade anteriormente, mas depois há o processo de poupar para compras maiores, como uma viagem", diz.
Vezozzo crê que há também quem poupe por segurança, ou medo do desemprego, em um momento delicado da economia nacional e mundial. Ele diz que, na teoria, a menor inadimplência deveria reduzir juros e aumentar a oferta de crédito. Na prática, muda pouco. "Deveríamos ter uma lista positiva e outra negativa, como nos Estados Unidos, para que os bons pagadores pudessem ser premiados. É preciso parar com essa política de dar desconto no fim do ano, por exemplo, para quem fica com dívida em impostos municipais."
Para que houvesse reflexo no comércio, Pianowski diz que a queda no número de protestos ainda é pequena. "Se fosse substancial, diminuiria a restrição ao crédito, mas não deu para o lojista se alegrar", diz, ao pedir que o consumidor aprenda a comprar somente quando puder pagar pelo que levou.
Perfil por região
O Sudeste continuou em março a contribuir com a maior parcela dos títulos protestados, com 46,7%. Na sequência aparecem a região Sul (24,1%), Nordeste (15,2%), Centro-Oeste (9,2%) e Norte (4,8%). O maior valor médio dos títulos protestados em março foi na região Nordeste, com R$ 3.008, e o menor, na Sul, com R$ 1.994.



