Os funcionários do Banestado que trabalham no Conglomerado Santa Cândida interromperam ontem o funcionamento da sede administrativa do banco, muitos por vontade própria e outros porque foram impedidos de entrar no prédio para trabalhar. Eles iniciaram uma paralisação para pressionar o banco a aceitar a inclusão no contrato coletivo de trabalho de alguns itens que darão garantias aos bancários após a privatização. Eles querem que o Banestado assegure a manutenção de alguns direitos conquistados ao longo dos anos, principalmente o emprego.
A greve será rediscutida hoje pela manhã, em assembléia marcada para iniciar às 9 horas, em frente ao portão de entrada do conglomerado. Como a diretoria do banco aceitou receber um grupo de manifestantes ontem por volta do meio dia, os líderes do movimento avaliam que será possível retornar hoje ao trabalho. Eles tiveram a garantia de que, na segunda-feira, fazem a primeira rodada de negociação com a direção do Banestado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores, José Daniel Farias, disse que a pressão foi motivada pelo processo de privatização do Banestado. ‘‘Queremos a certeza de que o novo comprador do banco terá de manter inalterado o quadro de funcionários por cinco anos’’, afirmou Farias. O sindicato se baseia num procedimento semelhante que o governo adotou, ao assegurar que vai manter por cinco anos as suas operações bancárias no Banestado.
Farias lembrou que o Santander, quando comprou o banco espanhol Banesto, foi obrigado a aceitar a cláusula de não demitir por três anos. As reivindicações dos funcionários só podem ser garantidas se forem incluídas no acordo coletivo de trabalho, pois o governo não aceitou colocá-las no edital. Os pedidos dos bancários foram recusados em votação na Assembléia Legislativa.

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