Protesto de bancários acaba em confronto com a polícia
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quinta-feira, 07 de março de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba Nova paralisação dos funcionários do HSBC ontem em Curitiba terminou em confronto com a polícia e detenção de cinco líderes do Sindicato dos Bancários local, entre eles o presidente da entidade, José Daniel Farias. Doze policiais do grupo Tático Móvel Auto, munidos de espingardas calibre 12, foram ao Centro Administrativo da Vila Hauer para fazer cumprir liminar obtida pelo banco que impedia manifestações próximas às agências por volta das 9 horas. Logo depois cerca de 20 policias reforçaram a segurança.
Os cerca de mil funcionários do prédio retomaram as atividades por volta das 10 horas, logo após a ação policial. Segundo os sindicalistas, os policiais abusaram da força física. A polícia chegou fortemente armada, com espingardas calibre 12, cassetetes e liberaram a entrada na marra, relatou o presidente da Federação dos Bancários da CUT, Adilson Stuzata.
Segundo Stuzata, os policiais estavam agindo para prender Farias, quando outros sindicalistas foram interceder. Eles foram dizer que não era preciso efetuar prisões, mas isso desencadeou a prisão de quatro diretores, disse. Os cinco sindicalistas detidos foram levados à 7ª DP de Curitiba para assinar o termo circunstanciado e foram liberados por volta do meio-dia.
Na quarta-feira, o HSBC obteve um interdido proibitório na 21ª Vara Cível de Curitiba, que impedia a presença de sindicalistas nas imediações dos bancos. Cerca de 1,8 mil funcionários paralisaram as atividades nesse dia pela manhã.
De acordo com o Sindicato dos Bancários, o HSBC não cumpriu o acordo coletivo, que previa pagamento da 2ª parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e do Programa de Participação em Resultados (PPR) em 1º de março. O banco enviou um comunicado na semana passada falando que ia pagar, mas não pagou, afirmou.
Segundo a assessoria de imprensa do HSBC, a primeira parcela do PLR/PPR, que foi paga em setembro, contemplou todo o montante a ser pago e por isso não foi feito o crédito agora. O PLR de setembro foi pago em cima do lucro do primeiro semestre, que foi de R$ 93,6 milhões. Mas no segundo semestre o banco teve prejuízo de R$ 13,1 milhões, divulgou.
O subcomandante do regimento que comandou a ação policial, major João Amaral, disse que os policiais estavam no cumprimento de uma ação policial e usaram armamento de costume. Mas nenhum cassetete foi usado nem houve violência.


