O produtores rurais da região norte do Estado que ocupavam um trecho da linha férrea de Cambé (13 km a Oeste de Londrina), na saída para a Estrada da Prata, decidiram interromper o movimento ontem à tarde. Paralelamente, outro bloqueio foi iniciado em Arapongas (37 km a oeste de Londrina) e Jataizinho (21 km a leste de Londrina), onde os manifestantes pretendem permanecer até a próxima terça-feira, quando está programado um protesto nacional dos agricultores.
  Os cerca de 150 tratores e colheitadeiras que estavam obstruindo a ferrovia em Cambé desde a manhã da última quarta-feira começaram a sair do local às 17 horas, e seguiram em um ‘‘tratoraço’’ pelas principais ruas da cidade. No início da noite, as máquinas foram colocadas nos pátios das cooperativas locais, de onde devem sair na próxima terça-feira, para o protesto nacional.
  Anteontem, a América Latina Logística (ALL), concessionária das linhas férreas no Estado, conseguiu na Justiça um mandado de reintegração de posse, e a Polícia Militar chegou a ser acionada para informar aos manifestantes sobre a ordem judicial. A decisão de suspender o movimento foi tomada em assembléia realizada ontem às 14 horas.
  Em Jataizinho, o bloqueio foi feito no trecho da linha férrea próximo à ponte do Rio Tibagi. No final da tarde, cerca de 100 produtores da região já ocupavam o local com seus maquinários. ‘‘Vamos passar o final de semana aqui’’, garantiu o produtor Agnaldo Pereira de Godoy Junior.
  A intenção dos produtores é paralisar o transporte de cargas para chamar a atenção do governo em relação às suas reivindicações. ‘‘Agora é a hora de falarmos alguma coisa. Antes disso nós nunca fomos ouvidos’’, afirmou o produtor Alberto Heinemann, que se endividou com a última safra de milho em Rolândia.
  Os manifestantes pleiteiam principalmente a garantia do preço mínimo, renegociação das dívidas, redução dos juros e uma política cambial que não comprometa a agricultura. ‘‘O mais importante é o preço mínimo, que nada mais é que o produtor poder receber por seus produtos pelo menos o valor gasto em sua produção. Se o governo garantisse só isso a agricultura já não estaria tão quebrada’’, opinou Robson Amano, estudante de agronomia e filho de produtores rurais.
  Os produtores presentes ao movimento mantiveram todo o tempo um discurso unificado. Miro Furlan, de Sabáudia (65 km a oeste de Londrina) é filho de imigrantes italianos, que chegaram ao Paraná em 1932, e diz que sua família nunca viu a agricultura passar por situação tão vergonhosa. ‘‘Somos homens de bem e não homens de briga. Não estamos pedindo perdão de dívida, mas condições de produzir para pagar o que devemos’’, definiu.
  O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região (Sindican) está apoiando os produtores. ‘‘Se o agricultor não plantar este ano, não teremos o que puxar no próximo’’, declarou Carlos Roberto Dellarosa, presidente da entidade. Para aderir ao movimento, mas sem ter muito prejuízo, Dellarosa recomenda que os caminhoneiros carreguem outro tipo de carga durante a semana de manifestações.
  A ALL informou, através de sua assessoria de imprensa, que os maiores prejuízos com os bloqueios estão sendo dos clientes da concessionária, que se vêem obrigados a utilizar o transporte rodoviário e, com isso, têm um acréscimo de 20% a 25% a mais no custo. Os vagões parados no Norte do Estado estão ocupados principalmente por grãos, álcool, gasolina, diesel e cimento.
  Diariamente a ALL transporta na região sul do País 25 mil toneladas de grãos e 2,4 milhões de litros de álcool. Só de gasolina e diesel que saem de Araucária para o Norte do Estado são 5,4 milhões de litros por dia.

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