A proibição da entrada de funcionários do Banestado no prédio onde funciona o data room (sala de dados) do banco gerou tumulto, ontem, no centro de Curitiba. O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, José Daniel Farias, foi detido por desacato e encaminhado ao 1º Distrito Policial, onde ficou por quase duas horas. Ele foi indiciado e responderá processo por danos ao patrimônio público, pois pesa contra ele a acusação de ter quebrado um dos vidros da porta do prédio.
O data room foi aberto ontem para fornecer aos diretores dos bancos privados interessados no leilão de privatização todas informações sobre o Banestado. Eles chegaram logo cedo para começar a trabalhar, mas no meio da manhã foram surpreendidos pelo protesto dos bancários.
Os sindicalistas estavam revoltados porque nem mesmo a representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banestado, Mariza Stédile, teve permissão para entrar. Segundo Mariza, o vice-presidente João Evangelista informou que ela só poderia ter acesso ao prédio depois de fazer uma solicitação oficial.
‘‘Mesmo assim, eu só entraria se fosse acompanhada por ele, o que é um absurdo’’, reclamou. ‘‘Tenho certeza que qualquer um dos outros quatro conselheiros do Banestado podem entrar a qualquer momento, porque todos são indicados pelo Lerner.’’
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, lamentou a ação dos sindicalistas. ‘‘Faz parte da democracia protestar, mas isso não vai alterar em nada o processo de privatização. A única mudança é que serão colocados mais seguranças no local’’, disse Stephanes.
Apenas representantes dos cinco bancos privados habilitados a participar do leilão de privatização tiveram acesso a data room, ontem. O leilão de privatização está marcado para 17 de outubro, na Bolsa de Valores do Paraná. A sala vai funcionar até dia 13 de outubro. Todas as informações sobre a situação financeira, gastos fixos, ações trabalhistas, número de correntistas e dados sobre cada uma das agências estão disponíveis no data room.
A reclamação do presidente do sindicato, Daniel Farias, é que ‘‘a direção do Banestado permite acesso a banqueiros privados e proíbe os funcionários do próprio banco de entrar em um prédio público’’. Depois que cerca de 30 funcionários do banco foram impedidos de entrar no prédio da avenida Presidente Farias, os seguranças solicitaram a presença dos policiais militares. A confusão, que resultou na detenção de Daniel Farias, começou quando um dos policiais tentou afastar os manifestantes da calçada em frente à porta do prédio. (Emerson Cervi e Carmem Murara)

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