Pascal Guyot/France PresseEuroprotestoTrabalhadores da França, Bélgica, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda marcham nos arredores de Paris contra a Renault: primeiros passos para a construção de uma ‘‘Europa social’’Sob uma chuva de ovos lançados por milhares de indignados operários da França, Bélgica e Espanha, os dirigentes da Renault se reuniram ontem em Paris enquanto, em Estrasburgo (leste da França), um dos comissários europeus os acusava de ‘‘sabotar a construção da Europa’’.
Cerca de 10.000 trabalhadores se manifestaram nos arredores de Paris e na estrada circular que rodeia Paris para protestar contra a recente decisão da empresa de fechar sua fábrica de Vilvoorde, na Bélgica, deixando desempregados 3.100 assalariados, assim como contra projetos de redução de pessoal na França.
Grupos solidários de trabalhadores vindos da Espanha, Itália, Alemanha e Holanda, inclusive de fábricas não diretamente envolvidas pelo conflito como Volvo, Opel, Volkswagen e Caterpillar, se mesclaram às compactas massas de belgas e franceses, reforçando o conteúdo simbólico deste ‘‘europrotesto social’’ que se levanta ante a Europa das multinacionais.
Os dirigentes sindicais parecem conscientes de que estão escrevendo os primeiros parágrafos da Europa social, cuja inexistência foi evidenciada pela brutalidade da ação da Renault contra seus trabalhadores belgas.
Outra chuva, mas de críticas, caiu sobre a cabeça de Louis Schweitzer no Parlamento Europeu de Estrasburgo. Comissários europeus e eurodeputados arrasaram os dirigentes da empresa francesa. ‘‘É uma sabotagem à construção da Europa’’, disse Padraig Flynn, condenando este ‘‘atropelo aos direitos dos trabalhadores’’. Na realidade, trata-se de ‘‘terrorismo capitalista a sangue frio’’, assinalou o eurodeputado radical belga Jaak Vandemeulebroucke.

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