France Presse
De Washington
Entre 6 e 10 mil manifestantes saíram ontem às ruas de Washington para protestar contra a globalização e a atuação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. As duas organizações começaram suas reuniões semestrais na cidade.
Estrategicamente organizados, os manifestantes se dividiram em grupos e formaram cordões humanos para impedir a passagem das pessoas nos acessos aos locais das reuniões. Apesar dos protestos, os encontros começaram na hora marcada.
A polícia de Washington tinha feito um cordão de isolamento de um quilômetro e meio em torno das sedes das reuniões, impedindo até a entrada de jornalistas. O chefe da polícia, Charles Ramsey, calculou em 6 mil o número de manifestantes mas disse que eles podiam chegar até 10 mil já que ‘‘é difícil avaliar seu número com precisão porque eles se movimentam muito’’. No sábado polícia já tinha prendido 637 pessoas.
As manifestações foram descritas como pacíficas e não houve choques importantes com a polícia com exceção de um episódio. Perto da Casa Branca um grupo de centenas de manifestantes pegou hastes metálicas usadas em uma construção próxima e investiram contra os policiais, que dispersaram o grupo usando bombas de gás lacrimongênio.
Para driblar as manifestações algumas delegações chegaram a deixar seus hotéis, em ônibus, as 5 da manhã no horário local. O Comitê Financeiro e Monetário Internacional, instância política do FMI, é formado por 24 ministros das Finanças e controladores de Bancos Centrais representantes dos 182 países-membros do Fundo.
Os manifestantes que protestaram ontem contra as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington avisaram que o seu próximo objetivo é o Japão, onde vai acontecer a reunião do Grupo dos Oito (G-8) em julho.
‘‘Nos uniremos todos, as organizações pacifistas do Japão, ativistas antinucleares e grupos antiimperialistas’’, disse Carolina Aranllo, vice-presidente da ONG Bayan, com sede nas Filipinas. Ela foi participar dos protestos em Washington representando os 600 mil membros da organização.
O Japão vai sediar a reunião de cúpula do G-8, em Okinawam entre 21 e 23 de julho, quando vai receber os líderes das nações mais industrializadas do mundo. O presidente americano Bill Clinton e o russo Vladmir Putin estarão na reunião, e as autoridades japonesas planejam mobilizar dezenas de milhares de policiais para a data. O G-8 reúne Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos.

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