Proteína de pobre foge da mesa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Da Redação 
Acima de R$ 70,00/saca, como tem oscilado, o feijão deixa de ser a proteína de pobre, como se convencionou chamar. Os supermercados são unânimes no seguinte diagnóstico, ainda não oficializado - mas admitido - pelos órgãos de governo: a alta do feijão desloca a preferência do consumidor para outros produtos, forçando a baixa do preço pela lei da oferta e procura. O setor atacadista mantém alta superficial por alguns dias, mas não pode especular tanto. É que a produção de feijão é bem heterogênea e as perdas de safra no Paraná, maior produtor, são compensadas pela entrada do produto de Goiás, São Paulo ou Irecê, Bahia.
Outro fenômeno é que ao migrar para o macarrão, por exemplo, o consumidor mantém o custo da cesta básica. Mas, por força de hábito, este refúgio não dura muito tempo porque a maioria dos trabalhadores alega não conseguir ficar muito tempo sem o feijão no cardápio, segundo estudos da Associação Brasileira de Supermercados (ABRA). De qualquer forma, se o consumidor não pode abrir mão - por muito tempo do feijão - os atravessadores também não conseguem forçar as altas indefinidamente. O resultado é um mercado sensível, com muita oscilação no curtíssimo prazo, podendo subir ou cair 20% a 30% em duas ou três semanas.


