Prós e contras do sistema
Se, por um lado, as mudanças trarão maior liberdade para as administradoras fixarem seus critérios e criar novos produtos, por outro deixa o participante sem muita proteção.
A desregulamentação em si é positiva porque retira amarras do segmento, permite a criação de novos postos de trabalho e tende a estimular o surgimento de opções mais interessantes ao consorciado. Mas são ainda bem recentes as histórias de administradoras que quebraram deixando pesados prejuízos aos consorciados ou não tiveram condições de entregar o bem nem respeitaram prazos. Faltou ao Banco Central a iniciativa de adotar medidas que também pudessem dar maior segurança ao consorciado, como a criação do Fundo Garantidor de Créditos Consorciais (FGCon).
Mais séria A questão torna-se ainda mais séria nos grupos para a compra de imóveis. Quem garante, por exemplo, que os dramas vividos por participantes de grupos de imóveis não venham a repetir-se? Tem muita gente que até hoje tenta recuperar parte do prejuízo provocado por administradoras que, depois de embolsar várias mensalidades, simplesmente desapareceram. É muito dinheiro envolvido na operação para que esses riscos não sejam observados pelo governo.
O prazo para esses grupos foi agora esticado para 180 meses, o que deve reduzir o valor da mensalidade. Mas o que poderia ser uma vantagem tende a transformar-se em problema diante das dificuldades que o participante pode encontrar para programar-se em 15 anos.
Outras opções Foram lançados ainda grupos para aquisição de pacotes turísticos e eletroeletrônicos. Não se sabe quais serão os critérios, mas pode ser complicado conciliar a disponibilidade do participante para viajar com contemplações ou respeitar prazos a ser impostos pela administradora para a utilização do pacote.
Conclusão Por isso, mais do que redobrar a atenção para esclarecer cada cláusula do contrato, quando as empresas passarem a oferecer os novos planos de consórcio (depois de 30 dias a contar da publicação da nova legislação no Diário Oficial da União), o interessado em consórcio deve avaliar se essa é a melhor opção para chegar ao bem cobiçado. Cálculos na ponta do lápis mostram que há vantagem em formar uma poupança própria para a realização desses planos. Na verdade, quem não consegue organizar-se por iniciativa própria, depositando mês a mês o necessário para adquirir o bem, acaba tendo de pagar uma taxa de administração para alcançar seu objetivo. No consórcio, existem desvantagens, ainda, para quem é contemplado no fim do plano, uma vez que terá de fazer vários desembolsos sem poder usar o bem.





