A reforma da Previdência acaba com privilégios de políticos e do alto funcionalismo. Com algumas exceções, eles terão de obedecer às mesmas regras dos trabalhadores quanto à idade mínima e teto do benefício, que será o mesmo do INSS. Mas, não é verdade que os mais pobres serão preservados. Assim como os demais trabalhadores, terão idade mínima para se aposentar (65 anos para homens e 62 para mulheres) e um cálculo de benefícios que fará com que recebam menos. Hoje, a aposentadoria é calculada com base em todas as contribuições desde 1994, descartando as 20% menores. Com a reforma, nenhuma contribuição será desprezada.

Um trabalhador da construção civil com mais de 50 anos dificilmente vai achar emprego no País. Imagine ter de trabalhar até 65 anos”, critica o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes da Silva. Ele considera injusto o fato de a reforma trazer regras mais brandas para profissionais de segurança, que poderão se aposentar bem mais cedo: 53 anos de idade para homens e 52, para mulheres. “É inconcebível ter categorias com vantagens e profissionais mais humildes que vão perder a saúde e não vão conseguir se aposentar”, declara.


A proposta de aposentadoria (reserva remunerada) para as Forças Armadas tramita separadamente na Câmara e também prevê vantagens para os militares.

"Estamos privilegiando policiais em detrimento dos trabalhadores braçais, que deveriam ter o privilégio de se aposentar mais cedo”, critica o economista e professor da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Joilson Dias. Para ele, nem governo nem oposição têm disposição de corrigir as injustiças da Previdência Social.

Como uma faxineira ou um pedreiro vão conseguir ter 40 anos de registro em carteira?”, questiona a secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali. Para ter acesso a 100% do benefício, a reforma exige 40 anos de contribuição. Londrina, segundo ela, tem 19 mil famílias atendidas em programas de transferência de renda. Quanto menos benefícios à população carente, mais difícil fica para o País voltar a crescer, raciocina Micali. “Pessoas com renda fazem a economia melhorar.”

O BPC (Benefício de Prestação Continuada), que representa um salário mínimo pago a pessoas com deficiência e idosos pobres com mais de 65 anos, não sofrerá alteração. A proposta do governo baixaria o valor do benefício, mas foi rejeitada pela Câmara. Por outro lado, os deputados aprovaram nesta sexta-feira um destaque que vai permitir pensão abaixo do salário mínimo no caso de o pensionista ter outra fonte de renda. O valor mínimo passa a ser R$ 479.

Dizer que a reforma não prejudica os pobres é uma falácia Além disso, no meu entendimento, ela prejudica a economia porque as pessoas terão menos dinheiro para gastar”, diz Micali.

A secretária reclama também das injustiças da Previdência. “Em média, a aposentadoria do brasileiro (pelo INSS) é de R$ 1.300. Na Câmara, os deputados se aposentam com R$ 28 mil. Isso que é preciso mudar.”

Ela critica os meios de comunicação porque seriam responsáveis pela divulgação da “falsa ideia” de que a vida das pessoas vai melhorar com a reforma.

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