Prorrogação de dívidas é insuficiente
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A repactuação das dívidas do setor agrícola proposta pelo Ministério da Agricultura, não foi bem recebida no Paraná. De acordo com o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, os efeitos da estiagem sobre a agropecuária serão sentidos por muito tempo, o que deve levar à descapitalização do agricultor.
As cooperativas também não ficaram satisfeitas com o volume de recursos destinado à prorrogação das dívidas do setor. As cooperativas contraíram empréstimos para financiar o plantio para os produtores. Segundo o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, o volume anunciado de R$ 300 milhões para atender as cooperativas dos três estados do Sul não é suficiente.
Na chamada formação de financiamento para cotas-parte, o cooperado assume uma dívida com a cooperativa na compra de sementes, fertilizantes e demais insumos. A cooperativa passa a dever recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atua como o intermediário de recursos do Tesouro e do próprio banco de fomento.
Segundo o ministro Roberto Rodrigues, o BNDES prevê que o volume total de investimentos que devem ser repactuados chega a R$ 3,5 bilhões. Desse total, R$ 2 bilhões correspondem a investimentos no Morderfrota (modernização da frota) ou no Moderinfra (destinado à irrigação e armazenagem) e R$ 1,5 bilhão ao empréstimos por meio do Finame Especial (máquinas e equipamentos).
Segundo Rodrigues, as parcelas dos empréstimos que deveriam ser pagas neste ano poderão ser quitadas somente depois do vencimento da última parcela no caso de municípios em que foi decretada a calamidade pública. No Paraná, cerca de 50 municípios decretaram essa situação, que está em fase de reconhecimento pelo governo federal.
O segundo ponto destacado pelo ministério é o custeio da safra de verão. O Banco do Brasil está reavaliando os prazos de pagamentos para os municípios em que a produção caiu mais de 50%. Nestes casos, o pagamento deste ano poderá ser de 20% do total dos vencimentos e o restante será negociado nas próximas quatro ou cinco safras.
Para Albuquerque, da Faep, as regras para prorrogação das dívidas do Finame Especial ainda não estão disponíveis no banco. Além disso,''a decisão do governo federal de jogar a parcela da dívida vincenda este ano para um ou dois anos para frente não resolve o problema da descapitalização do agricultor porque ele não se recupera tão rápido assim'', afirmou. Albuquerque lembrou que o produtor está enfrentando um período de baixa nos preços das commodities e o câmbio também está depreciado.
Em relação à dívida das cooperativas, o técnico da Ocepar disse que a situação do Paraná não é tão desesperadora como no Rio Grande do Sul. Também os preços dos produtos agrícolas estão começando a reagir no mercado o que pode ajudar o cooperado a saldar parte de suas dívidas.


