Brasília - A prorrogação das dívidas dos agricultores vai comprometer a oferta de crédito oficial para a safra que começa a ser cultivada em meados do próximo mês, admitiu o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Na semana que vem, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve ratificar a prorrogação dos débitos de custeio da safra 2004/05. No primeiro semestre do ano, o governo já havia adiado o pagamento dos débitos dos agricultores que perderam parte da safra por causa da estiagem.
''Essas prorrogações, segundo o Banco do Brasil, representam redução da oferta de crédito de recursos controlados para este ano de R$ 2 bilhões'', afirmou o ministro em entrevista à Agência Estado. Do total de R$ 44,35 bilhões previstos para o ano-safra 2005/06, os recursos a juros controlados somam R$ 20,9 bilhões, mostra programação da Secretaria de Política Agrícola. O Banco do Brasil é a instituição que mais repassa recursos aos agricultores.
Com a redução, a oferta de dinheiro a juros equalizados diminuiu, fator negativo para a atividade agrícola. ''A oferta de crédito é uma situação decepcionante'', desabafou o ministro. Ele explicou que, neste ano-safra, a oferta de recursos a juros controlados era 12% superior ao período anterior. ''Mas o fato de termos todas essas prorrogações reduz de forma dramática a oferta de recursos a juros controlados'', completou.
Devido à redução da oferta de recursos a juros controlados, o Banco do Brasil elaborou uma ''tabelinha'' para tentar atender um número maior de produtores, contou Rodrigues. A oferta de recursos a juros controlados ficou limitada a R$ 50 mil por tomador. Ou seja, um produtor de algodão que teria limite de R$ 500 mil para empréstimo a juro controlado, só consegue receber 10% desse valor.
''A tabela vai crescendo conforme aumenta a demanda. À medida que aumenta a demanda, vai aumentando, num mix, a participação de recursos livres, ou seja, aumenta a taxa de juros'', afirmou. Na prática, essa medida representa aumento do custo do crédito neste ano. ''O gasto é maior para ter acesso ao dinheiro'', ressaltou.
Diante da situação, Rodrigues negocia com a área econômica do governo medidas para elevar o limite de R$ 50 mil. ''Eu trabalho com duas ou três hipóteses novas para ver se a gente consegue pensar em aumentar o volume, a massa de recursos equalizados'', afirmou, sem dar mais detalhes.

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