O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e usado no reajuste do aluguel, fechou o ano com alta acumulada de 10,54%. Em 2014, a variação havia sido de 3,69%. Mas, diante da crise econômica e da retração do mercado imobiliário, poucos locadores têm conseguido aplicá-lo no vencimento dos contratos.
"Temos um momento de desaquecimento econômico que reflete na desocupação de imóveis. Muitas pessoas têm trocado um imóvel por outro mais barato", afirma Marco Antônio Bacarin, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil). Segundo ele, atualmente há uma oferta de imóveis para locação 30% acima da média dos anos anteriores. "Na hora de fazer o reajuste do contrato, é preciso levar em conta esses fatores", declara.
Bacarin diz que só estão conseguindo aplicar o IGP-M os locadores cujos inquilinos não têm como sair do imóvel. "São aqueles que têm contrato por prazos mais longos", explica. Para ele, quem consegue manter o valor do aluguel, no vencimento do contrato, já pode se considerar "vitorioso". "Em muitos casos, o dono do imóvel precisa reduzir o valor para conseguir manter o inquilino."
O presidente da entidade conta que o mercado de locação vem desaquecendo desde o segundo semestre de 2014. "Infelizmente, não temos nenhum indicador mostrando que vai haver uma melhora no próximo ano", reclama. Para ele, a recuperação só virá em meados de 2017.

perspectiva

O diretor da Imobiliária Avenida, Aldivino Alves Pereira, confirma a dificuldade de se aplicar o IGP-M. "A maioria dos donos de imóveis prefere manter o valor antigo com medo de perder o inquilino", declara. Segundo ele, se for aplicar um reajuste de 10%, dificilmente o locador conseguirá renovar o contrato. "Há algumas situações em que é preciso diminuir o aluguel."
Com cerca de 150 imóveis para locar, ele diz que a situação piorou neste segundo semestre. "A perspectiva não é muito boa para 2016. Acho que, se a gente conseguir manter o que tem, já estará bom", declara. O empresário também espera uma retomada do mercado para 2017. "O Brasil precisa dar uma chacoalhada."
Dono de dois apartamentos – um ainda não entregue pela construtora -, o engenheiro eletricista Fernando Chiarato Bavia, 26 anos, sentiu na pele a retração do mercado. Em dezembro do ano passado, ele colocou seu primeiro imóvel para locar. Pediu R$ 1.450. "Só fui alugar em maio deste ano por R$ 1 mil reais", conta.
Inicialmente, o jovem havia baixado o valor para R$ 1.300. "Vieram propostas, mas as pessoas não conseguiam apresentar toda a documentação exigida pela imobiliária", afirma. Ele acabou locando direto para um amigo que queria se mudar do centro da cidade. O apartamento, segundo o engenheiro, tem 78 metros quadrados, três quartos (uma suíte), sacada, duas vagas em garagem e fica na Gleba Palhano. De acordo com Bavia, em 2013 o apartamento valia R$ 330 mil. "Hoje tem gente vendendo no mesmo prédio por R$ 310 mil", ressalta.

mockup