Proposto controle de capital de curto prazo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo Economistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apostam em duas medidas, em especial, para promover o aquecimento da economia doméstica: controle de capital de curto prazo e presença mais ativa do Estado na política econômica, enfatizando o crescimento. Estas duas questões-chave constam de boletim batizado de ''Política Econômica em Foco'', elaborado pelo Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do Instituto de Economia da universidade.
A proposta do documento, que terá periodicidade quadrimestral, é debater os rumos da economia doméstica. Segundo o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, desde a liberalização da conta de capital, em 1991, o País começou a atrair grandes fluxos de capital externo, ficando à mercê da percepção dos investidores estrangeiros em relação às economias emergentes. ''A idéia de controlar o fluxo de capital está claramente no boletim'', diz, destacando que a presença do capital de curto prazo tem forte impacto na taxa de câmbio. ''O Brasil chegou a ter flutuações cambiais de 40% a 50%. Como pode um negócio deste? Como é que se pode fazer previsões de volume de exportações e de investimento externo dentro de um cenário como este?''
''Flutuação suja'' O documento da Unicamp defende que seja adotado no Brasil um meio termo entre o câmbio flutuante, adotado em 99, e o fixo. ''Seria uma flutuação suja, que poderia ser manipulada pelo governo e calibrada de acordo com a linha evolutiva da inflação'', explica Ricardo Carneiro, economista e professor que integra o time de especialistas encarregados de produzir o boletim. De acordo com o documento, a alta sensibilidade dos preços às flutuações cambiais conduz a um viés altista da taxa de inflação, que obriga a política monetária sob o regime de metas de inflação a utilizar taxas de juros elevadas para conter eventual aceleração inflacionária.
Carneiro ressalta, porém, que promover sucessivos cortes na Selic, até trazê-la a uma taxa anual de 18% em dezembro, como aposta parte do mercado financeiro, não é a saída para recuperar a economia. ''A atividade econômica pode até dar alguns soluços, mas o fundamental é fomentá-la, através de investimentos.''
Belluzzo segue na mesma linha de raciocínio: ''Precisamos de uma solução velha. Precisamos de um sistema financeiro que realmente financie o crescimento, sendo capaz de criar liquidez e crédito. Nós ainda patinamos nesta decisão'', avalia.
De acordo com a economista Daniela Magalhães Prates, uma conta de capital aberta deixa o mercado vulnerável a ciclos de aversão ao risco e o Brasil, atualmente, encontra-se totalmente desprotegido.


