Propostas patronais tentam evitar greve
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quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Sindicatos patronais já começaram a apresentar melhores contra-propostas salariais para tentar fechar um acordo com os trabalhadores e evitar a greve geral marcada para terça-feira. Os patrões falam em reajustes de 7%. No início de outubro, a maioria defendia taxas em torno de 5%.
Patrões e sindicalistas enfrentam uma rodada frenética de reuniões que acontecem hoje, amanhã e domingo, para tentar chegar a um consenso logo. Bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros que somam 2,1 milhões no País estão na linha de frente do movimento grevista.
As centrais sindicais já identificaram alguns avanços nas novas conversas que tiveram com estes setores. Empresas de autopeças, petroquímicas e montadoras discutem reajustes de cerca de 7%. Há, por exemplo, maior possibilidade de se chegar a um consenso com as montadoras e as autopeças do que com as metalúrgicas do setor de embalagens hoje, segundo a reportagem apurou.
Logo, se os fabricantes de automóveis definirem na visão dos sindicalistas uma proposta aceitável, seus empregados ficam fora da paralisação.
Sem problemas O fato não incomoda as centrais sindicais. O objetivo final, afirmam, não é parar o País, mas buscar um aumento justo aos trabalhadores. Não é que a greve vai esvaziar como dizem por aí. Não nos preocupamos com isso, mas com o fechamento de bons acordos logo e que sirvam como parâmetros para outras categorias, diz João Carlos Gonçalvez, secretário-geral da Força Sindical.
Esta designação bom acordo, entretanto, ainda não pode ser empregada em todas as negociações atuais, na opinião da CUT (Central Única dos Trabalhadores), a maior do País. A contra-proposta de 7% nem mesmo se aproxima daquilo que os sindicatos querem. A Força não aceita menos de 20%.
É por isso que as centrais acreditam que ainda há a possibilidade de que a greve atinja várias categorias. Tem gente falando em 6,5% e 7%, mas não se chegou nem ao patamar de 8%, afirma João Felício, presidente da CUT. Os sindicatos apresentaram suas propostas meses atrás com base da inflação do Dieese, de 9,21% de setembro a agosto de 2000.
A Petrobras, por exemplo, ofereceu 5% de aumento salarial além de 2% . Os trabalhadores rejeitaram a proposta nesta semana. Achamos difícil eles apresentarem uma nova contra-proposta até a próxima semana. Então as mobilizações continuam, diz Maurício Rubem, presidente Federação dos Petroleiros.


