Sindicatos patronais já começaram a apresentar melhores contra-propostas salariais para tentar fechar um acordo com os trabalhadores e evitar a greve geral marcada para terça-feira. Os patrões falam em reajustes de 7%. No início de outubro, a maioria defendia taxas em torno de 5%.
Patrões e sindicalistas enfrentam uma rodada frenética de reuniões que acontecem hoje, amanhã e domingo, para tentar chegar a um consenso logo. Bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros – que somam 2,1 milhões no País – estão na linha de frente do movimento grevista.
As centrais sindicais já identificaram alguns avanços nas novas conversas que tiveram com estes setores. Empresas de autopeças, petroquímicas e montadoras discutem reajustes de cerca de 7%. Há, por exemplo, maior possibilidade de se chegar a um consenso com as montadoras e as autopeças do que com as metalúrgicas do setor de embalagens hoje, segundo a reportagem apurou.
Logo, se os fabricantes de automóveis definirem – na visão dos sindicalistas – uma proposta aceitável, seus empregados ficam fora da paralisação.
Sem problemas O fato não incomoda as centrais sindicais. O objetivo final, afirmam, não é parar o País, mas buscar um aumento justo aos trabalhadores. ‘‘Não é que a greve vai esvaziar como dizem por aí. Não nos preocupamos com isso, mas com o fechamento de bons acordos logo e que sirvam como parâmetros para outras categorias’’, diz João Carlos Gonçalvez, secretário-geral da Força Sindical.
Esta designação ‘‘bom acordo’’, entretanto, ainda não pode ser empregada em todas as negociações atuais, na opinião da CUT (Central Única dos Trabalhadores), a maior do País. A contra-proposta de 7% nem mesmo se aproxima daquilo que os sindicatos querem. A Força não aceita menos de 20%.
É por isso que as centrais acreditam que ainda há a possibilidade de que a greve atinja várias categorias. ‘‘Tem gente falando em 6,5% e 7%, mas não se chegou nem ao patamar de 8%’’, afirma João Felício, presidente da CUT. Os sindicatos apresentaram suas propostas meses atrás com base da inflação do Dieese, de 9,21% de setembro a agosto de 2000.
A Petrobras, por exemplo, ofereceu 5% de aumento salarial além de 2% . Os trabalhadores rejeitaram a proposta nesta semana. ‘‘Achamos difícil eles apresentarem uma nova contra-proposta até a próxima semana. Então as mobilizações continuam’’, diz Maurício Rubem, presidente Federação dos Petroleiros.